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Setor automóvel vale 5,9% do PIB e emprega 72 mil pessoas

MÁRIO CRUZ/LUSA
MÁRIO CRUZ/LUSA

Estudo pioneiro avalia peso do setor automóvel na economia e contabiliza em 11 mil milhões de euros o volume de negócios de 900 empresas

O setor automóvel é maior do que tem sido considerado até agora, revela um estudo inédito, realizado pela consultora Deloitte para a Mobinov – Associação do Cluster Automóvel, e que será apresentado hoje em Leiria na conferência Indústria automóvel: Relevância e tendências de futuro, que contará com a presença do primeiro-ministro e do ministro da Economia.

Afinal, os quatro fabricantes automóveis existentes em Portugal envolvem 900 empresas fornecedoras naquele que é dos setores mais valiosos para a economia portuguesa: no ano passado, a atividade dessas empresas valeu perto de 11 mil milhões de euros, o que equivale a 5,9% do produto interno bruto (PIB). Os construtores responsáveis pela exportação de 85% da produção, que equivale a 20% dos bens transacionáveis vendidos por Portugal, representaram apenas uma “pequena fatia” do negócio, no valor de dois mil milhões de euros. Há espaço para mais um fabricante, defende o cluster Mobinov.

“O setor nunca tinha sido medido desta forma, considerando não só os fabricantes ou os fornecedores de primeira linha, mas também os produtores de têxteis, de moldes e ferramentas, os modificadores de veículos (como é o caso das ambulâncias), enfim, revelando um setor muito heterogéneo e transversal com um efeito multiplicador na economia portuguesa”, explicou ao Dinheiro Vivo José Couto, presidente da Mobinov.

A metodologia utilizada até agora para o setor considerava apenas 51 mil trabalhadores em quatro fabricantes e 220 empresas e 240 fábricas fornecedoras, geradoras de 11% das exportações de bens em 2016 (5,2 mil milhões de euros). De acordo com o estudo da Mobinov, o setor agrega afinal 900 empresas, com 72 mil trabalhadores, responsáveis por 16% do valor acrescentado bruto (VAB) da indústria exportadora nacional. “Entre 2012 e 2016, o VAB do setor automóvel cresceu 6,5%, o que compara com a evolução de 0,7% do PIB no mesmo período”, notou José Couto.

Esta evolução significa que a indústria automóvel portuguesa se manteve competitiva, na perspetiva deste responsável. Mas é preciso mais: “Para sermos mais competitivos, o ideal seria atrairmos mais um construtor. Esse é o objetivo do cluster”, revelou. “Temos o sistema científico que suporta a atividade, temos qualidade de recursos humanos, embora possamos já não ter a quantidade e os salários tenham aumentado. O setor tem uma remuneração média cerca de 30% acima da restante indústria transformadora”, diz José Couto.

Apesar de persistirem desvantagens competitivas, como o transporte ferroviário e a infraestrutura logística nos portos, bem como os custos energéticos, José Couto acredita que podemos “competir com outros concorrentes no Norte de África e na Europa investindo em tecnologia e na qualidade dos recursos humanos”. Para conquistar o desejado construtor, é ainda preciso que “o Estado ofereça incentivos fiscais que diminuam as desvantagens de Portugal em comparação com países concorrentes”. A maior ameaça é, para José Couto, “nada fazermos, porque se nada fizermos, vamos perder a competitividade”. Portugal já tem “uma taxa de produtividade abaixo do expectável para quem queira vir para a indústria automóvel, ainda que esteja muito acima da média do resto da indústria transformadora no país”.

O investimento em formação profissional e o reforço da ligação entre universidades e empresas será ainda mais importante se o país quiser continuar a produzir após 2020. “Os veículos autónomos vão alterar a mobilidade e vão causar mudanças nos setores energético e financeiro, nos seguros, nos sistemas de comunicação e nas cidades. A nossa indústria está a preparar-se, mas não vai ter muito tempo porque, em 2020, já haverá uma alteração radical da oferta da indústria automóvel”, alertou José Couto.

O valor calculado neste estudo para o setor automóvel em Portugal coloca-o muito perto do valor do turismo (11,5 mil milhões de euros ou 7,1% do PIB, em 2016) e logo abaixo da metalomecânica (14 mil milhões de euros ou 7,5% do PIB em 2016). O famoso setor do calçado, apesar da relevância crescente, exportou 1,9 mil milhões euros em 2016 (1% do PIB).

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