Energia

Setor eólico e solar de acordo: Eletrificação é a chave da transição energética

Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens.
Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens.

A Comissão Europeia sabe que aumentar a percentagem de eletricidade no mix energético exige investimentos avultados e significativos.

De toda a energia que consumimos na Europa, a eletricidade ainda só diz respeito a 24%. O alerta é deixado ao Dinheiro Vivo por Giles Dickson, CEO da associação WindEurope, que no início do mês foi um dos signatário do novo manifesto da Aliança para a Eletrificação, um documento subscrito por mais de 100 organizações em Bruxelas.

E os restantes 76? “Ainda são alimentados por combustíveis fósseis. Se quisermos travar as alterações climáticas, temos de aumentar a percentagem da eletricidade no mix de energia europeu. A forma mais eficaz de descarbonizar os restantes 76% é introduzir a eletricidade de origem renovável em setores como o aquecimento, os transportes e a indústria”, afirma o responsável.

Pior: Os 76% que ainda dizem respeito aos combustíveis fósseis são na sua maioria importados de fora da Europa. “Os consumidores europeus pagam, por semana, cinco mil milhões de euros por essas importações. Quanto menos dependermos delas e produzirmos mais energia localmente, mais dinheiro pouparemos”, argumenta Dickson, acrescentando que “é mais eficiente consumir eletricidade do que combustíveis fósseis”.

“Qualquer veículo elétrico, comparado com o melhor dos motores a combustão, é três vezes mais eficiente no que diz respeito à performance energética. E mais barato para os consumidores, porque se gasta menos energia. O mesmo acontece nas bombas de calor, por comparação com caldeiras a gás”, explica o CEO da WindEurope. Na visão da associação de produtores eólicos, é possível chegar a um nível de eletrificação de 62% em 2050. Por seu lado a associação das grandes elétricas europeias, Eurelectric, fala em 60% e a Comissão Europeia é mais moderada nas previsões e não vai além dos 50%.

“O que tem de acontecer para lá chegarmos é uma enorme vaga de veículos elétricos, carrinhas e camiões, eletrificação do aquecimento doméstico, dos escritórios e dos centros comerciais, eletrificação dos processos industriais. Na indústria do aço, por exemplo, já se começou a registar uma mudança para a eletricidade, noutras indústrias também se implementam processos mais eficientes. E há outros setores a aderir. Mas há algumas indústrias mais pesadas e também alguns transportes mais pesados (aviação e navios), em que a eletrificação direta será complicada. Aqui a opção será a eletrificação indireta, o que significa converter eletricidade em hidrogénio e abastecer aviões, navios e indústria com hidrogénio renovável”, explica Giles Dickson.

Na opinião do responsável, a Comissão Europeia já está convencida sobre a necessidade de aumentar a percentagem de eletricidade no mix energético do continente e sabe que isso exige investimentos significativos em ativos de geração de energia, em infraestruturas de transmissão e distribuição. “Estão a alocar dinheiro para ligar a rede energética europeia. Há milhares de milhões a serem canalizados para novas interligações e redes de energia. A Comissão Europeia está também a usar fundos estruturais para financiar o desenvolvimento da rede de carregadores elétricos. E também para a descarbonização da indústria”, remata.

Também para Walburga Hemetsberger, CEO of SolarPower Europe, a eletrificação é a chave para resolver os problemas climáticos que enfrentamos. “À medida que os custos das renováveis, e da energia solar em particular, têm descido tão consideravelmente, temos hoje os preços mais baixos de eletricidade, muito inferiores aos combustíveis fósseis. Por isso é urgente descarbonizar o sistema elétrico, os transportes, os processos industriais, os edifícios” sublinhou.

Sobre a Aliança para a Eletrificação, diz que “é forte” e espera que a os legisladores europeus tomem a mensagem em consideração nos próximos cinco anos de Comissão Europeia: “Que a eletrificação é a chave para travar as alterações climáticas. É preciso ter o quadro regulatório certo”.

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