Indústria 4.0

Siemens inaugura incubadora de soluções digitais no Porto

Siemens Portugal
Pedro Pires de Miranda, CEO da Siemens Portugal. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens

Norte assegura 40% do volume de negócios da empresa e 44% dos clientes. Multinacional tem instalações no Freixieiro há 25 anos

A comemorar 25 anos nos escritórios do Freixieiro, a Siemens inaugurou esta terça-feira dois novos centros tecnológicos nas áreas da digitalização e dos edifícios inteligentes, no Porto. Uma descentralização que visa uma maior proximidade aos principais núcleos industriais e empresariais do país, “acelerando o processo de transformação digital e apoiando o desenvolvimento de projetos tecnológicos”. O i-Experience Center 4.0 é uma incubadora de soluções digitais e o Solutions & Service Center é um laboratório aplicacional para o desenvolvimento e implementação de soluções inteligentes para edifícios. O objetivo é

O objetivo é que este novo núcleo tecnológico seja um “espaço de cocriação e ideação” que impulsione a ligação a empresas, entidades de investigação e a startups locais, disponibilizando tecnologia de simulação. A região Norte assegura quase 44% dos clientes da Siemens e cerca de 40% do volume de negócios da empresa. Destaque para o projetos na área da produção de energia. O i-Experience Center 4.0 e o Solutions & Service Center nascem um ano e meio após a abertura de espaços semelhantes em Alfragide, na sede da Siemens, pode onde “já passaram cerca de 600 empresas e universidades” a testá-los. A empresa está já a preparar novos investimentos em Portugal, mas o presidente exercutivo da Siemens não indica, para já, onde irão nascer os próximos centros tecnológicos do grupo.

“Estes centros requerem muita preparação, muito profissionalismo. Qualquer centro tem um ano de incubação. O investimento não é só o dinheiro, é o tempo, a tecnologia, são todas as valências necessárias que temos de criar. Em 2020 teremos novidades. Seria deselegante falar de localizações, mas garanto-vos que em 2020 haverá um ou dois novos centros tecnológicos”, sublinha Pedro Pires de Miranda. Centros estes que não serão, necessariamente, em instalações da Siemens, mas poderão nascer em parceria com universidades ou institutos politécnicos.

Sobre o investimento, Pedro Pires de Miranda sublinha, apenas, que as duas novas estruturas fazem parte do plano de investimentos anunciado o ano passado de 25 milhões de euros para a digitalização do país até 2020. O i-Experiência Center 4.0, que faz parte programa Indústria 4.0, é uma incubadora de soluções digitais, que pretende contribuir para a modernização do tecido industrial português. Todo o processo de criação está assente em MindSphere, o sistema operativo aberto da Siemens para a Internet das Coisas, baseado na nuvem. “Através desta solução, todos os produtos, instalações, processos e equipamentos que compõem o processo produtivo ficam conectados entre si, permitindo uma análise rápida e eficaz de grandes quantidades de dados e uma tomada de decisão melhor fundamentada”, explica a empresa.

Já o Solutions & Service Center é um laboratório aplicacional para o desenvolvimento e implementação de soluções inteligentes para edifícios, nomeadamente para proteção contra incêndios, segurança, automação, eficiência energética, segurança da informação e monitorização dos mesmos.

O objetivo da Siemens é que este novo núcleo tecnológico seja um espaço de “experimentação, de cocriação e de ideação” de projetos, servindo para “reforçar a proximidade” aos clientes finais e aos seus parceiros na região. Permitem, no fundo, que as empresas possam idealizar, simular e testar previamente, em ambiente laboratorial, todas as soluções que pretendem implementar. Seja ao nível dos sistemas industriais para o setor dos componentes, como as indústrias da aeronáutica ou mecânica, como para indústrias de processos, com grande consumo energético, com a pasta e papel e a fibra.

Ao nível dos smart buildings, destaque para o setor terciário onde os centros comerciais ou os grandes edifícios da banca ou das indústrias farmacêuticas obrigam a uma gestão cuidadosa de todas as questões ligadas à deteção de incêndios, ao controlo de acessos, à deteção de intrusos ou consumo energético. Ferramentas essas que estão todas agregadas numa única plataforma, sendo que o novo laboratório permite a simulação de situações reais e a construção de soluções à medida. Os hospitais do Grupo Luz Saúde são alguns dos clientes da Siemens nesta área, bem como a própria Caixa Geral de Depósitos que conseguiu, no espaço de cinco anos, reduzir em 500 mil euros ao ano a sua fatura energética, além de vários centros comerciais.

“Um edifício sem inteligência é a mesma coisa que um carro sem motor. Os edifícios hoje têm que falar com as pessoas e estas têm que se sentir num ambiente muito amigável, quer do ponto de vista do conforto e da funcionalidade, mas, muito importante, também do ponto de vista da segurança. Em que a entrada e a saída de pessoas seja muito bem controlada, sem que se seja acintosa”, diz o CEO da Siemens. As novas soluções desenvolvidas pela Siemens permitem a integração, numa mesma plataforma holística, dos vários sistemas já existentes na empresa/edifício, sejam eles da Siemens ou não. Aumentar a simulação em ambiente laboratorial permite reduzir custos de construção ou remodelação dos edifícios, diminuindo o tempo de intervenção, bem como reduzir a respetiva fatura energética.

Com mais de 2500 trabalhadores em todo o país – dos quais 150 a Norte – a Siemens tem vindo a admitir, em média, 300 pessoas ao ano. E vai continuar, garante Pedro Pires de Miranda, sublinhando que a empresa tem, neste momento, 250 novos postos de trabalho em aberto em Portugal.

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