Coronavírus

Sindicato diz que CTT querem discutir lay-off. Empresa não confirma

(Miguel Pereira/Global Imagens)
(Miguel Pereira/Global Imagens)

Empresa não confirma eventual negociação para lay-off nos CTT. SNTCT lembra serviço público e possibilidade de requisição civil no sector.

Os CTT estarão a ponderar recorrer à redução ou suspensão dos contratos dos trabalhadores confirmou Victor Narciso, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações (SNTCT) ao Dinheiro Vivo. A informação foi avançada esta sexta-feira pelo Jornal de Negócios. O operador postal não quis comentar esta informação.

A hipótese terá sido colocada em cima da mesa após falta de acordo com os representantes dos trabalhadores quanto a medidas extraordinárias para fazer face à pandemia, e que envolviam, por exemplo, alterações no subsídio de refeição e na marcação de férias. Em contrapartida, o SNTCT refere que era exigida pelos sindicatos a prorrogação por dois anos do acordo de empresa em vigor. Opção que terá sido rejeitada pela empresa.

Os CTT não confirmam a informação que, segundo o sindicato, terá sido veiculada na última reunião negocial mantida com os representantes dos trabalhadores por videoconferência. Fonte oficial refere que os CTT “não comentam rumores”, “nem sobre o lay-off bem sobre nenhum outro tema”.

“Quando e se houver alguma informação a transmitir os CTT fá-lo-ão através dos canais oficiais da empresa e não através dos sindicatos nem de terceiros”, refere o operador postal em resposta ao Dinheiro Vivo.

Numa comunicação interna, datada de 21 de abril, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, as últimas negociações terão servido para discutir um conjunto de medidas que passariam pelo pagamento de subsídio de refeição em cartão a todos os trabalhadores com vencimento igual ou superior a 750 euros, a marcação unilateral de férias vencidas em 2019, assim como das de 2020 – dentro do período de 1 de maio a 31 de outubro, que prevê o Código do Trabalho. Além disso, a empresa propôs o pagamento de subsídio de férias repartido em partes iguais nos meses de julho e agosto, independentemente do período em que fossem gozadas, assim como a suspensão de pagamentos por promoções e progressões ocorridas desde 8 de abril, sendo estes adiados para os primeiros cinco meses de 2021.

No mesmo documento, a empresa lamenta a falta de acordo com os representantes dos trabalhadores e assegura não ter a intenção de rever o acordo de empresa que se encontra em vigor desde julho de 2018, e que deverá ser estendido por um ano novamente dentro em julho deste ano.

Os CTT dizem ainda que as propostas feitas permitiriam salvaguardar o rendimento dos trabalhadores e avisam que pretendem tomar decisões “sobre eventuais novas medidas” onde o “racional” será procurar “o menor impacto possível” para os mais de 10 mil colaboradores da empresa.

Já o SNTCT diz não haver data marcada para uma discussão de eventual recurso ao lay-off nos CTT, mas lembra tratar-se de “uma empresa que presta serviço público a todo o país, que terá lucros no ano passado, uma empresa onde os trabalhadores podem ser requisitados a qualquer altura e onde há trabalhadores que descontam para a Caixa Geral de Aposentações”, segundo aponta o secretário-geral, Victor Narciso. “Estamos atentos para perceber como é que poderia ser aplicado o lay-off”, diz.

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