Porto de Setúbal

Sindicato exige integração com salário que respeite antiguidade

(Carlos Santos/Global Imagens)
(Carlos Santos/Global Imagens)

Dois níveis salariais, correspondentes a uma diferença de quase 400 euros por mês, dividem as empresas portuárias e os estivadores na integração de trabalhadores eventuais.

As divergências entre os estivadores e os operadores portuários parecem estar a diluir-se, mas há, ainda, questões fundamentais a criar divergências, como é o caso do patamar salarial em que os trabalhadores eventuais serão integrados. A proposta das empresas é o nível 9, o segundo mais baixo de todos, mas o Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL) exige pelo menos o nível 7. A diferença é de um salário bruto de 1046,72 euros para um de 1443 euros. “Não se pode integrar um veterano com um salário quase de estagiário. Se se reconhece que são falsos precários é preciso ser coerente e procurar encontrar uma categoria profissional que, pelo menos, se aproxime daquela em que ele estaria se não tivesse sido violentado durante 20 anos sem um contrato digno”, argumenta fonte oficial do SEAL em declarações do Dinheiro Vivo. As negociações são retomadas amanhã.

As divergências salariais não são, apenas, em relação aos trabalhadores que as empresas portuárias admitem integrar já, mas, também, aos que vierem a ser contratados mais tarde. “Exigem que as próximas entradas sejam no nível 10, cláusula que não admitimos de forma nenhuma. Estamos a falar de 850 euros de salário, um valor muito inferior ao que aufere qualquer [trabalhador] eventual”, sublinha o mesmo dirigente. Para os trabalhadores de nível B, aqueles que têm já mais de sete anos de experiência e que foram sendo admitidos no quadro das empresas, mas mantidos ‘congelados’ no oitavo escalão, com um salário de 1220 euros, a Operestiva – Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal propõe a subida ao escalão imediatamente acima, com o tal salário de 1443 euros. O SEAL quer que sejam promovidos ao nível cinco, com um vencimento mensal de 1776 euros.

O número de trabalhadores precários a regularizar e o modo de o fazer também está, ainda, a dividir sindicatos e patrões. No total, as empresas portuárias admitem integrar 56 trabalhadores, mas querem que este número inclua os 10 com os quais já estabeleceu contratos de trabalhos desde o início de novembro. O que o SEAL não admite. E mesmo assumindo como positiva a posição do patronato, o sindicato insiste que esta integração “não resolve o problema da precariedade” no porto de Setúbal. “É preciso garantir condições dignas aos restantes trabalhadores eventuais. Tem que se lhes assegurar condições para que façam, pelo menos, um turno por dia de modo a conseguirem tirar um salário digno ao fim do mês até virem a ser integrados um dia”, defende o sindicato. O que implica que os trabalhadores efetivos irão “abdicar do trabalho extraordinário” de modo a assegurar esse turno diário aos restantes. “As empresas não querem nada disso porque sabem que isso permitiria, mais tarde ou mais cedo, provar a exclusividade desses trabalhadores. É uma questão de má fé”, salienta a direção do SEAL.

Quanto ao modo de integração dos trabalhadores eventuais, o sindicato exige ser “uma das vozes a ter em conta” na definição de “critérios objetivos” para a sua seleção. O objetivo é, sobretudo, evitar que as empresas exerçam qualquer tipo de “pressão ou retaliação” sobre os estivadores que têm dado a cara nestes já 22 dias de greve no porto de Setúbal.

Nova reunião entre as partes está agendada para quinta-feira. A que horas está por definir. “A senhora ministra ainda não precisou a que horas será a reunião, presumimos nós que desagradada com o método adolescente das empresas portuárias que avançaram com um ultimato, exigindo uma resposta em bloco às suas exigências até às 23h00 de terça-feira, uma atitude que não é digna da importância deste setor”, frisa a direção do sindicato.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: REUTERS/Brendan McDermid

Principais bancos em Portugal vão continuar a reduzir exposição ao imobiliário

Fotografia: REUTERS/Brendan McDermid

Principais bancos em Portugal vão continuar a reduzir exposição ao imobiliário

SaudiAramco

Petrolífera Aramco consegue maior entrada em bolsa da história

Outros conteúdos GMG
Sindicato exige integração com salário que respeite antiguidade