Sindicatos e patrões rejeitam austeridade

Abebe Selassie
Abebe Selassie

A necessidade de dinamizar a economia e
o emprego são duas das preocupações comuns aos representantes do
patronato e dos trabalhadores que hoje se reúnem com a troika, no
âmbito da quinta avaliação a Portugal prevista no programa de
assistência financeira que disponibilizou 78 mil milhões de euros
ao País. Todos defendem também que não é possível aplicar mais
medidas de austeridade, nomeadamente aumentar os impostos.

A reunião conjunta, marcada para as
10:00 horas da manhã, na sede do Conselho Económico e Social (CES),
em Belém, vai sentar à mesma mesa os representantes das
confederações patronais portuguesas, da Indústria (CIP), do
Comércio (CCP), dos Agricultores (CAP) e do Turismo (CTP), e das
duas centrais sindicais, CGTP e UGT, com os representantes da troika
– Abebe Selassie (FMI), Jürgen Kröger (Comissão Europeia) e
Rasmus Rüffer (BCE).

Os 10 minutos de que cada participante dispõe
para intervir (incluindo o tempo do intérprete) parecem
manifestamente insuficientes para o muito que todos têm a dizer.

Segundo avançou o secretário-geral da
CGTP, Arménio Carlos, ao Dinheiro Vivo, a intersindincal vai
propor à troika a renegociação dos prazos e montantes da dívida,
bem como a redução progressiva do défice, “de forma a permitir
algum investimento público para dinamizar a economia e o emprego”.

A necessidade do BCE rever os seus estatutos para emprestar aos
Estados a juros semelhantes aos praticados para o sistema financeiro
é outro alerta da CGTP, que defende também uma aposta no mercado
interno e na melhoria dos salários e pensões para reduzir o défice
e a dívida. Outra das preocupações é que seja atribuído,
enquanto durar a crise, um subsídio social aos desempregados que não
tenham outro tipo de proteção social.

Já o líder da UGT, João Proença,
avisa que “não são possíveis mais medidas de austeridade” e
que “a prioridade deve ser no crescimento e no emprego”.

Também o presidente da CAP, João
Machado, considera que “não há condições para aplicar mais
medidas de austeridade aos portugueses e às empresas até ao final
do ano”. E defende que a meta de redução do défice tem que ser
menor, “sob pena dos portugueses, em especial os agricultores, não
aguentarem e disparar o desemprego”, devendo também ser alargado o
prazo para o equilíbrio das contas públicas.

O presidente da CCP, João Lopes, vai
propor “medidas urgentes para o financiamento das empresas” e
“medidas efetivas para o investimento”. Enquanto o Presidente da
CTP, Francisco Calheiros, vi pôr a tónica na necessidade de
aumentar a promoção turística, financiamento das empresas e no que
considera ser a elevada fiscalidade do sector.

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