Greve geral da função pública

Sindicatos. Governo ainda vai a tempo de alterar aumentos no orçamento

Lisboa, 31/1/2020 - Os trabalhadores da administração pública realizam esta tarde uma manifestação nacional na sequência de uma greve nacional, a primeira da atual legislatura, convocada por  várias organizações sindicais da CGTP e da UGT.
(Reinaldo Rodrigues/Globalimagens)
Lisboa, 31/1/2020 - Os trabalhadores da administração pública realizam esta tarde uma manifestação nacional na sequência de uma greve nacional, a primeira da atual legislatura, convocada por várias organizações sindicais da CGTP e da UGT. (Reinaldo Rodrigues/Globalimagens)

As organizações sindicais reportaram taxas de adesão à greve desta sexta-feira que chegam aos 90% na saúde.

Os sindicatos da função pública consideram que o governo ainda vai a tempo de inscrever aumentos superiores a 0,3% na proposta do Orçamento do Estado de 2020, num repto renovado esta sexta-feira, dia de greve geral da função pública que terá contado com elevados níveis de adesão, sobretudo nos sectores da educação e saúde, segundo as estruturas que convocaram a paralisação.

“A FESAP considera ser ainda tempo para que o Governo introduza alterações à sua proposta de aumentos salariais no sentido de que se verifiquem aumentos reais e uma efetiva recuperação do poder de compra que os trabalhadores da Administração Pública vêm perdendo há mais de 10 anos”, defendeu a organização liderada por José Abraão num comunicado de balanço onde destaca uma “clara disponibilidade para a luta demonstrada hoje pelo trabalhadores” e lembra que a votação final do orçamento só acorre na próxima quinta-feira.

O prazo para os partidos apresentarem propostas de alteração ao orçamento terminou na última segunda-feira. Mas, entretanto, o governo disponibilizou-se para negociar dentro da margem oferecida pelas contas entregues ao parlamento pelo Ministério das Finanças. A UGT é recebida quarta-feira pelas ministras do Trabalho e da Administração Pública, Ana Mendes Godinho e Alexandra Leitão. Há também negociações sobre aumentos com os sindicatos da função pública marcadas para dia 10.

Para o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública haverá capacidade para corrigir distorções da tabela remuneratória única – eventualmente, propondo subidas para alguns grupos de trabalhadores nos escalões mais baixos. Mas os sindicatos têm mantido a pretensão de que haja aumentos maiores para todos e não os 0,3% propostos, com referência à inflação registada no ano passado, naquele que será a primeira atualização geral de remunerações desde 2009. As reivindicações dos sindicatos, em dezembro, partiam dos 2,9% pedidos pela Fesap até aos 90 euros por trabalhador exigidos pela Frente Comum.

Nesta sexta-feira, os sindicatos dizem ter conseguido altos níveis de participação na greve e também na manifestação nacional convocada pela Frente Comum. Dados avançados pela Lusa, citando a polícia, referiram a participação de seis mil a sete mil pessoas nos protestos que decorreram em Lisboa.

A Fesap referiu também taxas de adesão que “terão variado entre os 60% e os 90%, consoante o setor”. “Tanto no continente como nas regiões autónomas, entre escolas fechadas, consultas, exames médicos e exames complementares de diagnóstico adiados, serviços da Autoridade Tributária encerrados, recolha de lixo por efetuar, audiências e diligências judiciais adiadas, encerramento de balcões das lojas do cidadão, de serviços da segurança social, de registos e notariado, foram inúmeros os constrangimentos provocados pela falta de pessoal para manter o normal funcionamento dos serviços públicos”, afirmou no balanço de final do dia.

Entre os vários profissionais da Saúde que aderiram à paralisação, o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica avançou com “uma adesão acima dos 90”.

“De acordo com os primeiros dados que já foram possíveis apurar, em alguns pontos do país, a adesão é total provocando o encerramento de serviços, sendo apenas assegurados os serviços mínimos. Hospital S. José, Hospital de Macedo Cavaleiros, Centro de Sangue e Transplante do Porto, Hospital de Portimão, Hospital de Faro, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Hospital S. João, Hospital Garcia de Orta, Centro Hospitalar Cova da Beira são exemplo de algumas instituições fortemente afetadas por esta greve. Em termos de serviços, ficam comprometidos, com a ausência destes profissionais, áreas como análises clínicas, imagiologia, cardiopneumologia, radiologia, anatomia, patologia clínica, farmácia, neurofisiologia e cirurgias programadas”, referiu em comunicado.

A paralisação dos trabalhadores da função pública decorre até às 24h e envolve mais de quatro dezenas de sindicatos, das autarquias à educação e saúde, passando pela justiça, recolha de lixo e vários outros serviços públicos.

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