Função Pública

Sindicatos: sem aumento de salários em 2019, haverá luta

( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Sindicatos não aceitam mais um ano de congelamento salarial e ameaçam com luta se as negociações não tiverem resultado.

Foi com surpresa e com intenção de ir para a luta que os sindicatos da função pública ouviram as declarações do primeiro-ministro que, em entrevista ao Diário de Notícias, afirmou ser mais importante direcionar a despesa para a contratação de novos trabalhadores do que para aumentar os salários dos que já estão na administração pública. O tempo para esta negociação ainda não chegou, mas tanto a Federação dos Sindicatos da Função Pública (Fesap) como o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), ambos afetos à UGT, e a Frente Comum, (afeta à CGTP), vão deixando claro que, sem um aumento salarial, os funcionários públicos farão ouvir o seu protesto nas ruas. A CGTP tem até já marcada uma manifestação para 9 de junho.

Dentro de muito pouco tempo, a Fesap, liderada por José Abraão, vai divulgar o valor de aumento salarial que exige para 2019. “Não vamos pedir mundos e fundos, mas queremos sinalizar que é necessário dignificar os salários e promover o virar de página de que tanto se fala”, precisou ao Dinheiro Vivo o dirigente sindical, antecipando que a proposta que irá colocar em cima da mesa deverá oscilar entre os 2,75% e os 3%.

Os representantes dos trabalhadores veem com bons olhos o reforço das contratações, mas avisam que não será possível manter os funcionários públicos mais um ano sem aumentos salariais depois da perda de poder de compra acumulada que ronda já os 20% – incluindo o efeito da inflação com o do aumento dos descontos para a Caixa Geral de Aposentações e ADSE.

“Pensava que esse discurso [de não subir os salários] já tinha ficado para trás, que já tínhamos, como o governo tem dito, virado a página da austeridade”, refere a presidente do STE, Helena Rodrigues, avisando que é “impensável” que os trabalhadores se mantenham com os salários congelados por mais um ano. E assinala que fazer novas contratações sem mexer nos salários da função pública, é uma forma de ir baixando as remunerações e de “desvalorizar a administração pública”.

“Muita luta”. É esta a resposta de José Abraão perante um cenário de novo congelamento. Sendo que, acrescenta, nesse caso, a Fesap não deixará de equacionar associar-se a outras forças sindicais para que todos os trabalhadores possam mostrar o sue protesto.

A ausência de aumentos salariais em 2018 tem levado a Frente Comum a mobilizar os trabalhadores para a luta, e o protesto irá endurecer se não houver do lado do governo sinais de mudança – que todos os sindicatos da função pública exigem que vão além do descongelamento das remunerações, que se iniciou em janeiro deste ano. Em comunicado, a CGTP, também veio ontem apelidar a posição do governo de “inadmissível” e a considerar como “imperativo nacional” o aumento dos salários.

Entendendo que o problema não se limita ao sector público, a CGTP agendou para 9 de junho uma manifestação nacional a exigir um aumento geral dos salários em que os trabalhadores do sector privado são convidados a juntar-se.

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