Diplomacia

Sissoko Embaló lidera “golpe de Estado” na Guiné Bissau

Umaro Sissoko Embalo. (Foto: EPA/ANDRE KOSTERS)
Umaro Sissoko Embalo. (Foto: EPA/ANDRE KOSTERS)

O autoproclamado presidente demitiu o primeiro-ministro em funções. Militares tomam conta da rádio e televisão públicas.

Portugueses aconselhados a restringirem circulação em Bissau num momento em que indefinição é palavra de ordem na Guiné-Bissau. Militares guineenses retiraram esta sexta-feira os funcionários da rádio e da televisão públicas e ordenaram a suspensão das emissões, disse à Lusa um jornalista, depois de o autoproclamado presidente Sissoko Embaló ter demitido Aristides Gomes do cargo de primeiro-ministro e nomeado Nuno Nabian para o substituir.

A situação na capital guineense é calma, verificando-se apenas a presença de alguns militares junto a instituições do Estado como o Palácio do Governo, o Supremo Tribunal de Justiça ou os ministérios das Finanças, da Justiça e Pescas, estes três na mesma avenida no centro de Bissau. No parlamento não há presença de militares.

O primeiro-ministro agora indigitado é o líder da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que fazia parte da coligação do governo, mas que apoiou Sissoko Embaló na segunda volta das presidenciais. Nabian é também primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular e foi nessa qualidade que indigitou simbolicamente Sissoko Embaló como presidente na quinta-feira, numa cerimónia realizada num hotel da capital guineense, qualificada como “golpe de Estado” pelo governo guineense.

Portugueses aconselhados a não circular

Na sua página de Facebook, a Embaixada de Portugal em Bissau aconselhou os portugueses que vivem na Guiné-Bissau a restringirem a circulação. “Na sequência de movimentações militares que tiveram lugar esta tarde e um eventual aumento da tensão, com possíveis reflexos ao nível da segurança, aconselha-se, por precaução, a comunidade portuguesa na Guiné-Bissau, particularmente em Bissau, a restringir a circulação ao estritamente necessário até que a situação se encontre normalizada”, refere-se.

“Apelo à sublevação”

Embaló demitiu Aristides Gomes do cargo de primeiro-ministro, justificando a decisão com a sua “atuação grave e inapropriada”, por convocar o corpo diplomático presente no país, induzindo-o a não comparecer na tomada de posse e a “apelar à guerra e sublevação em caso da investidura do chefe de Estado, que considera um golpe de Estado”.

Nas redes sociais, Aristides Gomes afirmou que as instituições do Estado estão a ser invadidas por militares, num claro “ato de consumação do golpe de Estado”. “Há cerca de meia hora, as instituições de Estado estão a ser invadidas por militares, num claro ato de consumação do golpe de Estado iniciado ontem (quinta-feira) com a investidura, de um candidato às eleições presidenciais”, refere Aristides Gomes na sua página oficial no Facebook.

Umaro Sissoko Embaló, candidato às presidenciais dado como vencedor pela Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau e que na quinta-feira tomou simbolicamente posse como presidente do país, demitiu hoje o primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes. Num decreto presidencial, divulgado à imprensa, é referido que “é exonerado o primeiro-ministro, Sr. Aristides Gomes”.

O decreto, assinado por Umaro Sissoko Embaló, refere que a demissão de Aristides Gomes se justifica, tendo em conta a sua “atuação grave e inapropriada” por convocar o corpo diplomático presente no país, induzindo-o a não comparecer na tomada de posse e a “apelar à guerra e sublevação em caso da investidura do chefe de Estado, que considera um golpe de Estado”.

O decreto refere também que a demissão do primeiro-ministro teve em conta a “crise artificial pós-eleitoral criada pelo partido PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e o seu candidato às eleições presidenciais, que põe em causa o normal funcionamento das instituições da República, consubstanciada nas declarações públicas de desacato e não reconhecimento da legitimidade e autoridade” do chefe de Estado “eleito democraticamente, por sufrágio livre, universal, secreto, considerado pelo conjunto de observadores internacionais livre, justo e transparente e confirmado quatro vezes pela Comissão Nacional de Eleições”.

Embaló tomou simbolicamente posse numa cerimónia marcada pela ausência do governo, partidos da maioria parlamentar e principais parceiros internacionais do país. A cerimónia terminou com a assinatura do termo de passagem de poderes entre o presidente cessante, José Mário Vaz, e Umaro Sissoko Embaló. O governo da Guiné-Bissau considerou o ato como um “golpe de Estado” e “uma atitude de guerra” e acusou o presidente cessante de se autodestituir e as Forças Armadas de “cumplicidade”.

Leia os desenvolvimentos da situação na Guiné-Bissau aqui, na Plataforma

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