Conferências do Estoril

Smart cities marcaram o arranque do Mayors Summit

Marcelo Rebelo de Sousa (L) com o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras (C) nas Conferências do Estoril. (ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA)
Marcelo Rebelo de Sousa (L) com o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras (C) nas Conferências do Estoril. (ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA)

Acolhido pelo novo campus da Nova School of Business & Economics, o evento que decorre paralelamente à sexta edição da Estoril Conferences dedicou-se à discussão das cidades do presente e do futuro.

Se no final destes dois dias algum de vós tiver uma ideia e a implementar, ficamos muito satisfeitos”, disse Miguel Eiras Antunes, Global Smart Cities Leader da Deloitte, durante o discurso de receção aos convidados do Mayors Summit. O evento, que acontece esta terça e quarta-feira em Carcavelos, propõe uma reflexão sobre o papel da tecnologia na construção de um futuro com melhor educação, saúde, sustentabilidade e repleto de cidades inteligentes.

Entre o rol de responsáveis políticos de vários países neste primeiro dia – são 39 os mayors e deputy mayors que participam na conferência -, destaque para a presença de Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Richard Leese, em representação de Manchester, Andrius Palionis, vice-presidente de Caunas (Lituânia), e Frans-Anton Vermast, embaixador de smart cities em Amesterdão. Num debate moderado por Miguel Eiras Antunes, o painel de oradores deambulou pela experiência de cada uma destas quatro cidades europeias no processo de transformação digital e pelo que o futuro reserva às cidades inteligentes.

Ao longo da conversa, os participantes procuraram clarificar que este conceito de metrópoles conectadas não deve ser visto como uma ambição centrada na tecnologia, mas, pelo contrário, focada na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. A componente tech, garantem, deve ser vista como uma ferramenta para lá chegar. “Queremos fazer de Cascais o melhor sítio para viver e para isso precisamos de tecnologia”, defendeu Miguel Pinto Luz, que concretizou adiantando que o município tem já “milhões de sensores instalados para antecipar o futuro”. No entanto, o autarca reforçou a importância de facilitar o dia-a-dia dos cidadãos com a oferta de uma panóplia de serviços municipais que sejam facilmente acessíveis por todos aqueles que habitam no concelho. “Sermos pioneiros faz parte do nosso ADN”, rematou.

Miguel Eiras Antunes concordou com o edil, reforçando que “Cascais fez tudo o que devia e está a progredir”, não só porque soube adotar soluções tecnológicas que ajudaram a tornar-se numa smart city, mas também porque ouviu os cidadãos. Hoje, garante Miguel Pinto Luz, o município é local de eleição para o lançamento de iniciativas privadas neste campo, já que os seus habitantes oferecem “massa crítica desde o primeiro dia” de qualquer projeto que ali seja testado.

Andrius Palionis mostrou que a segunda maior cidade da Lituânia também está atenta às necessidades de quem nela vive. “Temos uma aplicação móvel para passageiros invisuais que avisa, em tempo real, em que estação estão” a cada momento do percurso em transportes públicos, partilhou. Palionis disse ainda que, além da poluição ser um obstáculo a ultrapassar em Caunas, o grande desafio “é conectar todos os sistemas inteligentes da cidade” que hoje funcionam como silos. Este é, aliás, um problema generalizado em muitas metrópoles internacionais, e que urge resolver, de forma a que seja possível caminhar em direção à construção de smart cities.

Outro dos desafios identificados durante o debate prende-se com a geração de dados nestas cidades inteligentes, o alimento essencial para a melhoria dos sistemas e maior proximidade aos cidadãos. “As pessoas partilham os seus dados com empresas como a Google, mas não estão dispostas a fazê-lo com governos”, assinalou Frans-Anton Vermast. O representante de Amesterdão, um dos exemplos europeus neste campo, aproveitou a oportunidade para falar sobre uma medida recentemente aplicada na cidade para reduzir a utilização do transporte individual em detrimento dos transportes públicos. “Oferecemos 1000 euros para os habitantes deixarem os automóveis a leasing” e aplicarem parte deste valor em passes de autocarro, elétrico ou metro.

Richard Leese teve ainda tempo para pintar um retrato rápido sobre os últimos 40 anos da história de Manchester. De “velha cidade industrial” a smart city, Manchester viu a “população crescer 2% ao ano” nas últimas duas décadas, transformando uma vaga de encerramento de escolas, em 2005, numa urgente necessidade de abrir novas instalações de educação. Inspirado pelos sucessos dos últimos anos, Leese fez questão de dizer que o objetivo é “ser uma cidade com 0% de emissões de CO2 em 2038” e que precisa “da visão coletiva” dos cidadãos para construir, com sucesso, uma melhor metrópole do futuro.

Mário Centeno tem presença confirmada

O programa de dois dias do Mayors Summit prolonga-se até quarta-feira, dia 29, com uma eclética seleção de temas e painéis de discussão. Amanhã haverá tempo para refletir sobre a sustentabilidade, logo ao início do dia, mas também sobre o papel da tecnologia no desenvolvimento do setor da saúde, da educação ou da mobilidade. Pelo meio, o evento vai ajudar a perceber a importância da gestão de dados numa smart city – Data management as a force of disruption, às 12:05 – e da ética tecnológica, nomeadamente no que diz respeito aos preconceitos que podem ser incluídos nos sistemas de inteligência artificial – Artificial Intelligence and Digital Minds, às 11:30, e Tech Ethics, às 11:50.

A sessão de encerramento está agendada para as 20:00 e contará com a presença de Mário Centeno, ministro das Finanças, Carlos Carreiras, presidente do concelho de Cascais, e João Sàágua, reitor da Universidade Nova de Lisboa.

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