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Só 14% das empresas pagam a tempo e horas

As empresas de construção pagam as suas faturas, em média, a 131 dias Fotografia: Rui Pedro Antunes
As empresas de construção pagam as suas faturas, em média, a 131 dias Fotografia: Rui Pedro Antunes

Construtoras e empresas agrícolas e de outros recursos naturais são os piores pagadores, com prazos acima de 100 dias.

Energia e Ambiente e alojamento e restauração são os que pagam mais cedo. Por liquidar estão 50 mil milhões de euros, segundo um estudo da Informa D&B.

As empresas portuguesas demoram, em média, 71 dias a pagar aos seus fornecedores. É bem mais do que os 60 dias estabelecidos na lei. Só 14% pagam a tempo e a horas. Ou, dito ao contrário, quase 9 em cada 10 (86%) não cumprem os prazos pata liquidar as contas. Quanto maior a empresa, menos tempo demora a pagar: 59 dias para as grandes empresas; 74 para as médias; 79 no caso das pequenas e 92 dias nas microempresas. As construtoras são as piores pagadoras, com prazos médios de 131 dias; na ponta oposta estão as empresas de energia e ambiente, que levam apenas 39 dias a liquidar as faturas.

Estes são dados do estudo Como compram as empresas em Portugal, realizado pela Informa D&B, que pretende ajudar os gestores a identificar novas oportunidades de negócio. No documento, que abarca quer o setor público quer o privado, mas não inclui nem a banca nem os seguros, a consultora dá conta que as entidades empresariais sediadas em Portugal compram 255 mil milhões de euros em bens e serviços, valor que corresponde a 77% do seu volume de negócios e a quase 140% do produto interno bruto. E mais de três quartos das compras são feitas no mercado interno, sendo que são as companhias de maior dimensão aquelas que mais importam do exterior. “Dois terços das grandes empresas são importadoras, um valor que desce para 57% nas médias empresas, para 44% nas pequenas e somente 11% nas microempresas. Os bens ocupam a maior fatia das aquisições – 180 mil milhões de euros (70%) -, sendo que os serviços representam 75 mil milhões, os restantes 30%.

retrato

As empresas de capital estrangeiro “também dinamizam o tecido empresarial nacional”, destaca a Informa D&B. Dos 76 mil milhões de euros de compras que as empresas de capital estrangeiro fazem ao ano, cerca de 59% são encomendas a fornecedores nacionais. São quase 45 mil milhões de euros.

No entanto, a maioria das compras entre empresas “não são feitas a pronto pagamento”, implicando risco associado. A Informa D&B estima que por liquidar estejam 50 mil milhões de euros. “Para garantir a liquidez e o crescimento das empresas, é crucial a capacidade de avaliar, antecipadamente, o risco comercial das transações, através da seleção criteriosa dos parceiros”, aconselha. A construção, a agricultura e outros recursos naturais são as atividades que apresentam prazos de pagamento mais dilatados, de 131 e 114 dias, enquanto setores mais ligados ao consumidor, como o retalho, atividades imobiliárias e o alojamento e restauração “pagam mais cedo aos fornecedores”, em 62, 60 e 53 dias, respetivamente.

Para avaliar o risco comercial, a consultora desenvolveu dois modelos que classifica de risco de Failure e de risco de Delinquency: o primeiro avalia a probabilidade de, nos próximos 12 meses, uma entidade cessar a atividade sem liquidar as suas dívidas; o segundo a probabilidade de, no mesmo prazo, a empresa se atrasar nos pagamentos em mais de 90 dias a pelo menos um dos seus credores. E as conclusões são de que 72% das empresas têm um risco Failure “mínimo ou reduzido”. São 232 mil empresas com 39 mil milhões de euros em faturas para liquidar a fornecedores. Já quanto ao risco de atraso, são mais de 50 mil as empresas que registam um “risco elevado ou médio-alto”, correspondentes a 35 mil milhões de euros.

“Para as empresas, uma estratégia comercial bem-sucedida passa por conhecer como compram os seus clientes e potenciais clientes, identificando novas oportunidades de negócio. É esse conhecimento que quisemos colocar à disposição do tecido empresarial com este estudo”, refere a diretora-geral da Informa D&B, Teresa Cardoso de Menezes.

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