desafio digital

Só um quarto das empresas de calçado tem loja online

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"Há ainda muito trabalho a fazer na digitalização da fileira", reconhece a APICCAPS

Cerca de três quartos das empresas portuguesas que integram o ‘cluster’ português do calçado e artigos de pele tem presença online, mas a associação do setor considera que há “ainda muito trabalho a fazer” na digitalização da fileira. Basta ter em conta que só 27% das empresas tem loja online e que a presença em plataformas como a Amazon, a Overcube ou a Dot é “escassa”

“Consideramos que o ponto de partida é interessante, mas também que há muito ainda para fazer. Há um caminho longo a percorrer em matéria de promoção das nossas empresas online e é isso que estamos a estimular, porque entendemos que o futuro também passará por aqui”, diz o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS).

Falando no âmbito do lançamento, na próxima quinta-feira, do portal Portuguese Shoes – apresentado como “a maior montra de calçado português alguma vez criada” e que reunirá online 10 mil produtos de 400 empresas – Paulo Gonçalves considerou que o ‘cluster’ português do calçado e artigos de pele “está no trilho correto”, mas deve continuar a reforçar a aposta no digital.

Segundo as conclusões do estudo “O cluster português de calçado na Internet”, elaborado para a APICCAPS pelo Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica do Porto e que inquiriu 328 empresas e 362 marcas, no segmento de calçado 75% das empresas têm presença online, consubstanciada num site, subindo esta percentagem para os 78% no caso das empresas de componentes para calçado e de artigos de pele e marroquinaria.

O trabalho evidencia que “a percentagem de empresas com ‘site’ é ligeiramente crescente com a dimensão”, mas revela que 4% dos sites “consistem apenas numa página a dizer site em construção”, facto que a APICCAPS encara com “preocupação”.

O inglês é a língua mais comum, utilizada em 90% dos sites, enquanto o português surge em apenas 75% dos casos, o que se considera “fazer sentido para uma fileira altamente exportadora como a do calçado”.

O estudo revela ainda que quase 71% das empresas com site apresenta um catálogo de produtos, cerca de 27% permite ao consumidor comprar online e apenas 9% das empresas permite a personalização dos seus produtos.

Evidenciando que “a presença nas redes sociais começa a ser importante para as empresas” do cluster do calçado, o trabalho aponta que quase 60% tem presença no Facebook, 37% no Instagram e 21% no Linkedin, sendo que “a presença nas redes sociais não tem relação com a dimensão” das companhias e que as “empresas mais ativas” da fileira são as de marroquinaria.

Das apenas 27% das empresas que dispõem de loja online, 66% aceitam encomendas de todo o mundo, 14% vendem os seus produtos apenas no mercado europeu e 9% exportam para alguns destinos fora da União Europeia, ainda que não para todo o mundo.

Cerca de 2% das empresas vendem em Espanha e Portugal e 9% vendem apenas em território nacional.

A presença em plataformas ‘online’ é, de acordo com o inquérito, “escassa” e mais frequente em empresas com mais de 250 colaboradores: Apenas 6,7% das empresas analisadas integra a Amazon, 5,8% a Overcube e 5,2% a Dot.

Já a Zappos, vocacionada para o comércio do calçado, é a que regista menor presença de empresas portuguesas (menos de 2%).

“É com base nesta radiografia do ‘cluster’ português de calçado na Internet que a APICCAPS pretende atuar, criando novas dinâmicas de intervenção para que o setor chegue com maior eficiência e acrescido impacto aos profissionais do setor”, sustenta a associação.

Anualmente, a indústria portuguesa de calçado exporta 80 milhões de pares de calçado para 163 países, nos cinco continentes, num valor próximo dos 2.000 milhões de euros.

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