Coronavírus

Solverde avança para lay-off e Estoril-Sol avalia regime

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Os casinos estão de portas fechadas. Sem atividade, sem receitas, e com centenas de trabalhadores, estão a encontrar soluções para quando reabrirem.

O grupo Solverde, que explora os casinos de Espinho, Algarve e Chaves e detém quatro hotéis no país, decidiu avançar com o pedido de lay-off por um período de pelo menos um mês. A medida, que irá abranger 947 dos 1063 colaboradores, prende-se com a quebra de receitas, fruto da pandemia do novo coronavírus e que levou ao encerramento total, já a 14 de março, das salas de jogo.

Segundo Fernando, Reis, administrador do grupo, a única atividade que se manterá em operação é o casino online, sendo que a Solverde vai disponibilizar três dos seus hotéis para acolhimento de profissionais de saúde. “Estamos a ultimar o processo de lay-off que deverá ser entregue ainda hoje [ontem]“, afirmou o responsável.

A Estoril-Sol, concessionária dos casinos do Estoril, Lisboa e Póvoa de Varzim, está a estudar várias soluções para responder à quebra do negócio. Como adiantou Vasco Fraga, vice-presidente do grupo, “estamos a avaliar a situação, ontem [terça-feira] pedimos alguns esclarecimentos à Segurança Social sobre o regime de lay-off, mas ainda não tomámos uma decisão definitiva”. O responsável lembra que muitos dos profissionais de casino têm nas gratificações uma componente muito relevante da sua remuneração mensal, que em alguns casos pode pesar 60% do salário.

Em cima da mesa está também a possibilidade da flexibilização do período de férias, mas que exige entendimento com as estruturas representativas dos trabalhadores. Nos três casinos, a Estoril-Sol emprega 922 pessoas.

Quebras abruptas
O encerramento dos casinos em Portugal devido à pandemia do covid-19 está a ter um forte impacto nas receitas brutas de jogo. No primeiro trimestre deste ano, o grupo Solverde registou proveitos com o jogo de 17,5 milhões de euros, uma descida de 23% face ao homólogo de 2019. Em março, período que contabiliza apenas 13 dias de operação, as receitas dos cinco casinos do grupo não atingiram sequer os três milhões de euros, nem metade do gerado no mesmo mês de 2019 (7,2 milhões).

“Estamos impedidos de continuar a trabalhar, não sabemos quando voltamos a abrir e qual será o impacto no ano”, diz Silva Carvalho, administrador com o pelouro do jogo da Solverde. Segundo adianta, o grupo estava a registar neste início de 2020 “um crescimento de 7% nas receitas, que foi interrompido pela pandemia”.

Cenário em tudo idêntico vive a Estoril-Sol. Nos três primeiros meses do ano, os três casinos de Stanley Ho geraram receitas com o jogo de 37,9 milhões de euros, um decréscimo de 18% face ao homólogo de 2019. Só em março e fruto do encerramento das portas, registou uma quebra de 65% nos proveitos, totalizando 5,5 milhões, contra os 15,7 milhões do período homólogo.

Vasco Fraga antevê um cenário negro no futuro. Segundo diz, “se conseguirmos abrir a 1 de julho, a minha convicção é que os casinos vão perder nesse mês 50% das receitas” que habitualmente gerariam. “Será uma catástrofe”, sublinha, lembrando que será outra recessão num setor que “nunca se recompôs da crise de 2008”.

Para o administrador, “vão ser precisos muitos anos para recuperar”, e “esta hecatombe” acontece no ano em que termina a concessão da zona de jogo do Estoril, que integra os casinos do Estoril e de Lisboa, e em que serão lançados novos concursos. E deixa um recado: “O Estado tem que ver que as concessões vão valer menos do que valiam”.

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