Encontros 560

Somincor investe 260 milhões no zinco para salvar Neves-Corvo

Minas de Neves Corvo
Minas de Neves Corvo

A expansão e modernização da mina alentejana é inevitável. Cerca de 300 novos postos de trabalho diretos serão criados

A companhia mineira sueco-canadiana Lundin Mining, que detém a Somincor, anunciou um investimento de 260 milhões de euros para, nos próximos três anos, duplicar a produção de concentrado de zinco (e não o metal puro) na mina de Neves-Corvo, em Castro Verde. Privatizada há 12 anos, emprega cerca de duas mil pessoas, entre empregados e colaboradores: 99% são portugueses.
“As empresas só se mantêm sustentáveis se gerarem lucro”, diz Paul Conibear, presidente da Lundin Mining, empresa que adquiriu a Somincor há 11 anos. A afirmação surge para explicar que a falta de lucro tem sido um problema nos últimos quatro anos. Devido à baixa do preço do cobre – uma tendência desde janeiro de 2012, de acordo com as estatísticas do The International Copper Study Group (ICSG), organização que estuda o mercado do cobre e a que Portugal pertence – a Somincor não tem tido lucros com este metal.

Nos Encontros 560 desta semana, organizados pelo Ministério da Economia com a parceria do Dinheiro Vivo, Paul Conibear deixou claro que devido ao declínio do preço do cobre a expansão da produção de zinco será determinante para manter a mina de Neves-Corvo viva e rentável. Assim, há que modernizar e reinvestir. Neste caso, apostando na expansão da produção de zinco, que deve funcionar como alternativa ao cobre. Este “grande investimento” engloba a aquisição de novas tecnologias para escavar mais de um quilómetro em profundidade e trazer mais zinco (e também mais cobre). E ainda permitirá poupar no consumo de água e melhorar o seu tratamento.

Até 2020, data em que está prevista a conclusão do projeto, deverão ser criados 200 a 300 novos postos de trabalho diretos e 100 indiretos. Além disso, nos próximos três a cinco anos, a expectativa dos responsáveis é de que também duplique o volume de negócios da empresa. O responsável quer manter viva uma das minas mais antigas, com 30 anos, e mantê-la por mais 30. “Neste setor é preciso estar sempre a explorar”, disse Conibear no debate moderado por Ricardo Costa, do grupo Impresa.
Na sua fundação, Neves-Corvo era uma mina com 10% de cobre. Em 2006, quando a Lundin Mining adquiriu a Somincor, era ainda rica em cobre, apesar de em menor peso (4-5%). Hoje é claramente uma mina de zinco (cerca de 2% de cobre) e no futuro será “uma mina de zinco com algum cobre.”

Nos últimos sete anos, a empresa tem estado entre os cinco maiores exportadores portugueses e tem contribuído para a economia por via dos impostos da atividade e dos empregados, bem como pelo pagamento de royalties ao Estado pela concessão. Suécia, Finlândia, Noruega, Alemanha e Espanha são os seus principais mercados, para onde exporta 100% do que produz. O minério não é transformado em Portugal. “Quando terminarmos a expansão no zinco seremos um dos maiores produtores deste metal e estaremos no mapa mundial dos produtores de zinco”, disse.

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