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Sonae “vende” retalho alimentar como investimento sólido para entrar em bolsa

A centésima loja da cadeia abriu no centro da capital, mas até 2020 vão abrir mais 70 lojas. Fotografia: Direitos Reservados
A centésima loja da cadeia abriu no centro da capital, mas até 2020 vão abrir mais 70 lojas. Fotografia: Direitos Reservados

Os argumentos para atrair investidores passam por uma rede de 697 lojas e uma quota de mercado de quase 22%.

Depois de já ter admitido vir a colocar em bolsa a Sonae MC, o negócio na área de retalho alimentar, e a Sonae RP, a entidade que gere a propriedade imobiliária de retalho do grupo, a Sonae SGPS divulgou esta terça-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários uma apresentação relativa ao negócio de retalho alimentar, de acordo com a qual a Sonae MC é uma “proposta de investimento sólida”.

Os argumentos para atrair investidores passam por uma rede de 697 lojas, receitas de cerca de 4,1 mil milhões de euros, uma quota de mercado de quase 22% (face aos 20,8% da Jerónimo Martins), um programa de fidelização que cobre 85% das famílias portuguesas, e ainda uma quota de mercado de cerca de 70% no comércio eletrónico para retalho alimentar. A Sonae sublinha também que “o mercado de retalho alimentar português tem uma taxa de penetração abaixo da média e estima-se que seja um dos mercados com maior crescimento na Europa”. Em Portugal, refere ainda a apresentação, o crescimento médio anual esperado das vendas do mercado de retalho alimentar entre 2017 e 2022 é de 2,9%, um dos mais elavados e só superado por Espanha.

Para o futuro, a Sonae sublinha a oportunidade de continuar a expandir a rede de lojas Bom Diac, com 44 novas lojas abertas nos últimos 2 anos, e a expansão e evolução da oferta na área de Saúde & Bem-Estar.

“O Conselho de Administração continua a analisar a possibilidade de listar parte do portefólio de retalho da empresa, no qual a Sonae manterá uma posição maioritária”, indicou a Sonae em comunicado já enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), detalhando que “o portefólio de retalho potencialmente sujeito à entrada em bolsa incluiria a Sonae MC, o negócio líder de mercado na área de retalho alimentar, e a Sonae RP, a entidade que gere a propriedade imobiliária de retalho da Sonae”.

“Esta potencial operação é consistente com o princípio estratégico da Sonae de criar valor para os acionistas e de garantir as melhores condições para que as suas empresas cresçam e reforcem as suas posições”, de acordo com o comunicado. O Barclays, o BNP Paribas e o Deutsche Bank foram nomeados pela Sonae para organizar “reuniões exploratórias com potenciais investidores para uma possível entrada em bolsa”, não tendo ainda sido, nesta fase, “tomada qualquer decisão formal”.

A Sonae MC, no retalho alimentar, integra os hipermercados Continente, os supermercados de conveniência Continente Modelo e Continente Bom dia, as lojas Meu Super, as cafetarias e restaurantes Bom Bocado e Bagga e os supermercados Go Natural. Integra ainda a Make Notes, Note! (livraria/papelaria), a ZU (produtos e serviços para cães e gatos), a Well’s (saúde, bem-estar e ótica) e a Dr. Well’s (clínicas medicina dentária e medicina estética), segundo a informação disponível na página da Sonae na internet.

Já a Sonae Retail Properties (RP), criada em 2009, é responsável pela gestão do património imobiliário de retalho. Também o copresidente executivo do grupo Paulo Azevedo afirmou que a Sonae admitia vir a cotar em bolsa o negócio do retalho, respondendo assim ao interesse demonstrado pelo mercado, mas mantendo sempre uma participação maioritária.

Atualmente, o grupo Sonae tem já cotadas duas empresas no PSI20, o principal índice da bolsa de Lisboa, a Sonae SGPS e a Sonae Capital. A Modelo Continente chegou a estar cotada, mas saiu de bolsa em 2006.

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