aviação

S&P corta rating da TAP. Companhia está em situação “vulnerável e dependente”

Fotografia: Regis Duvignau/ Reuters.
Fotografia: Regis Duvignau/ Reuters.

Com a frota praticamente toda em terra e sem receitas a entrar, a S&P considera que a companhia portuguesa está em risco de incumprimento

A TAP está entre as seis companhias aéreas europeias que viram o seu rating cortado pela Standard & Poor’s (S&P) esta quarta-feira. A notação financeira da transportadora aérea portuguesa passa de B, a B menos, ou seja, é considerada “investimento altamente especulativo”.

“O nosso downgrade da TAP Air Portugal, a transportadora nacional de Portugal, reflete o enfraquecimento na geração de cash-flow e a deterioração da liquidez”, justifica a S&P.

A agência acrescenta que considera que a companhia de aviação portuguesa está numa situação “vulnerável e dependente de apoio suficiente e atempado do governo português para prevenir o incumprimento de um pagamento de curto prazo“.

A S&P diz que estão em risco pagamentos de obrigações devidas em julho deste ano e também no início de 2021, se nada for feito.

As medidas tomadas pela TAP para cortar custos, entre elas o lay-off de 90% do pessoal, não chegam para alterar a situação financeira difícil em que se encontra a transportadora. “Olhamos para estas medidas como insuficientes para compensar a queda significativa da receita, e antecipamos um cash-flow operacional negativo este ano”.

Para esta agência de rating, no entanto, há “uma probabilidade elevada de um apoio extraordinário à TAP pelo governo português”. “Apesar de o governo português ainda não ter feito um anúncio público definitivo sobre um potencial apoio financeiro à TAP, levámos em consideração na nossa análise o histórico da ajuda do Estado até à data, e a importância da companhia para o governo”, sublinha a S&P.

Há, no entanto, o risco de a TAP “não receber apoio governamental suficiente e a tempo, ou poderá virar-se para canais alternativos para melhorar a liquidez”, o que eleva o risco de mais cortes de rating nos próximos 90 dias, avisa a agência.

Com revisões negativas por parte da agência de notação financeira estão também a IAG (que junta a British Airways, Iberia, Vueling, Aer Lingus, entre outras), British Airways PLC, easyJet, Air Baltic e Lufthansa.

A S&P antecipa que as restrições nas viagens devido à pandemia de covid-19 poderá resultar numa quebra do transporte aéreo na ordem dos 50% em 2020, um recuo maior do que o previsto inicialmente. Já a recuperação deverá levar mais tempo, podendo estender-se até 2023.

Notícia atualizada com mais informação às 18.10

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