Indústria Têxtil Vestuário

Springkode quer juntar calçado e têxteis-lar ao vestuário

Reinaldo Moreira,  CEO da Springkode, acompanhado de alguns dos membros da   equipa. Fotografia:  Pedro Granadeiro / Global Imagens
Reinaldo Moreira, CEO da Springkode, acompanhado de alguns dos membros da equipa. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

A empresa de e-commerce do Porto permite ao consumidor comprar diretamente das fábricas. Conta já com 17 parceiros e quer chegar aos 30.

A Sprinkode, empresa pioneira de e-commerce que liga a indústria têxtil diretamente ao consumidor, quer alargar a sua gama de produtos. Ao vestuário de senhora e de homem, pretende associar o calçado e os acessórios, mas também os têxteis-lar. Indústrias em que Portugal dá cartas no mundo. Criada no Porto, dá visibilidade a parceiros industriais por todo o norte e até já atraiu a atenção da Google, tendo sido convidada a integrar o primeiro programa de aceleração da tecnológica em Portugal, que arranca já a 27 de janeiro.

“Estamos muito focados no crescimento das nossas vendas assentes no marketing digital e podermos aprender com os melhores é simplesmente incrível”, admite Reinaldo Moreira, cofundador e diretor-geral da empresa. Em dezembro, a Sprinkode concluiu, em Londres, o programa de aceleração Dream Assembly, da Farfetch, com toda a visibilidade inerente que trouxe ao projeto junto de investidores internacionais.

Mas o que faz a Springkode? Permite ao consumidor final comprar diretamente nas fábricas, onde as grandes marcas de luxo internacionais vêm produzir as suas coleções, assegurando-lhe o acesso a produtos de elevada qualidade a preços mais competitivos, foi o primeiro objetivo de Reinaldo Moreira quando pensou neste projeto e desafiou Miguel Pinto, também como ele ex-quadro da Sonae, a criar a Springkode, a que se juntou, mais tarde, Francisco Pimentel. Mas quiseram ir mais longe e ajudar a indústria têxtil, a segunda mais poluente do mundo, a diminuir a sua pegada ambiental. E, por isso, todas as peças à venda são produzidas a partir de matérias-primas excedentárias, ajudando a dar utilidade aos stocks que se acumulam.

O projeto arrancou com três fábricas, em 2018, fechou o ano seguinte com 14 e espera, até ao fim do ano, chegar aos 30 parceiros, incluindo unidades industriais estrangeiras, estando em negociações com fábricas espanholas e inglesas. “Desafiamos a confeção a aproveitar todo o know how, expertise e investimentos já realizados em recursos humanos e equipamentos em seu próprio benefício, aproveitando os tempos mortos e as flutuações da procura para rentabilizarem os ativos que já têm”, explica Reinaldo Moreira.

Todos os artigos são criados pelas próprias fábricas e vendidos no marketplace da Springkode, que cobra uma comissão em cima de cada venda e articula a parte logística com as fábricas e a DHL. Cerca de 80% das vendas são feitas em Portugal, mas há clientes por toda a Europa, com particular incidência em Espanha e no Reino Unido.

O ano passado foi o primeiro exercício completo da empresa e a aposta esteve centrada, sobretudo, no crescimento da rede de parceiros. Neste ano, a Springkode espera já chegar aos 300 mil euros de vendas, uma meta “ambiciosa mas alcançável”. A rastreabilidade e a transparência são duas das mais-valias do projeto. Na página da empresa o cliente encontra o preço de produção de cada peça e como se divide esta em termos de custos laborais, de materiais e de impostos. E quanto custaria se fosse vendida numa loja. O terceiro passo é a circularidade, através da reintrodução dos produtos na cadeia de valor quando chegam ao fim da sua vida útil, a que esperam poder aceder já em 2021.

São muitos e variados os clientes da Springkode, mas se tivéssemos que indicar o cliente-tipo, Reinaldo Moreira indica que é uma mulher, de 35 anos, que mora em Lisboa, é formada em psicologia e trabalha na área dos recursos humanos. “É uma pessoa ocupada, com pouco tempo disponível para procurar peças com a relação qualidade-preço que mais lhe agrada. Alguém prático e pragmático, mas que não descura, de todo, o conforto, a elegância e a qualidade”, frisa. Um projeto a que se associou, o ano passado, a estilista Katty Xiomara, que desenvolveu uma coleção cápsula sustentável, produzida pela Bless Internacional. “Correu muito bem, gerou grande interesse por parte dos nossos clientes e dos nossos parceiros, e é uma abordagem que queremos repetir com outros designers. Já temos alguns alinhados, vamos a ver com que frequência iremos fazer estas parcerias”, acrescenta o jovem empresário.

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