Economia

Subida do PIB em 2019 chega aos 2,2% com revisão nas exportações de serviços

O primeiro-ministro, António Costa (E), conversa com o ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno (D), durante o debate parlamentar de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), esta tarde na Assembleia da República, em Lisboa, 09 de janeiro de 2020. MIGUEL A. LOPES/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa (E), conversa com o ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno (D), durante o debate parlamentar de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), esta tarde na Assembleia da República, em Lisboa, 09 de janeiro de 2020. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Contas superam previsão do governo em 0,3 pontos percentuais, apesar de um abrandamento no consumo e nas exportações.

Os números são ainda melhores do que apontava a estimativa rápida feita pelo INE em meados deste mês. A expansão da economia portuguesa em 2019 acelera afinal para os 2,2%, após a revisão em alta dos dados da balança de pagamentos pelo Banco de Portugal. Uma melhoria nas exportações dos serviços garantiu um impulso adicional de duas décimas ao PIB no último ano, nos dados preliminares das contas nacionais publicadas esta sexta-feira pelo INE, face à estimativa de 14 de fevereiro.

As contas hoje divulgadas, que serão ainda finalizadas com dados suplementares a 25 de março, superam em 0,3 pontos percentuais aquelas que eram as previsões do governo para 2019, e também vão duas décimas além do que apontavam Comissão Europeia e Banco de Portugal.

Os números melhorados refletem, segundo o INE, a “incorporação de informação atualizada da Balança de Pagamentos, publicada no passado dia 19 de fevereiro pelo Banco de Portugal”. “A nova versão da Balança de Pagamentos, relativamente à publicada no mês anterior, representou uma reavaliação da Balança de Serviços de 511,8 milhões de euros no ano de 2018 e de 873,1 milhões de euros nos meses de janeiro a novembro de 2019”, com impacto na variação do volume do PIB em 2018 e também no trimestre final de 2019. O crescimento do PIB de 2018 é agora revisto para 2,6%.

Segundo o INE, o PIB de 2019 atingiu os 212,3 milhões de euros e o saldo externo ficou em 0,1% do PIB, em terreno positivo. O crescimento económico do ano passado fica ainda assim 0,4 pontos percentuais abaixo do de 2018, refletindo o abrandamento na procura interna, de 3,1% para 2,8%, e nas exportações, de 4,5% para 3,7%.

Melhores exportações, investimento aquém

O contributo da procura interna para a subida do PIB, com a evolução do investimento a ficar abaixo do esperado, foi menos positivo do que esperava o governo (2,7 p.p. contra 3 p.p. nos números do Ministério das Finanças), mas o comércio internacional, pelo contrário, foi menos penalizador. A procura externa líquida teve um contributo negativo de 0,6 p.p. ao invés dos esperados 1,1 p.p. negativos.

Apesar de uma desaceleração e do desempenho inferior ao esperado na procura interna, as despesas das famílias e do Estado ficaram acima das previsões do ministro Mário Centeno. O consumo privado subiu 2,3% (2,2% esperados) e o consumo público subiu 0,8% (o governo esperava apenas 0,6%).

Quanto ao investimento, este acelerou 0,3 pontos percentuais face a 2018 (6,5% contra os anteriores 6,2%), pese embora ter ficado aquém daquilo que o governo punha no horizonte. As contas apresentadas pelo Ministério das Finanças em dezembro pressupunham uma melhoria de 7,3% na formação bruta de capital fixo.

Os dados do INE indicam que a melhoria no investimento realizado no ano passado, face a 2018, reflete sobretudo desenvolvimentos no sector da construção e investimento em produtos de propriedade intelectual, mais do que a compra de nova maquinaria pelas indústrias ou de material de transporte, como os novos aviões da TAP. Nestas duas últimas categorias, o investimento desacelera face a 2018.

Os desenvolvimentos nos mercados externos, tal como apontavam já as estimativas preliminares do INE neste mês, garantiram o grosso dos avanços face às previsões. As exportações, mesmo numa Europa em desaceleração, cresceram 3,7%, bem acima dos 2,5% que Mário Centeno inscreveu no último cenário macroeconómico apresentado. Ainda assim, o abrandamento face aos 4,5% de 2018 traduz um comportamento pior nas vendas de serviços ao exterior, onde predominam os serviços turísticos (cresceram 3,8% contra 6,3% no ano anterior)

Já as importações de bens e serviços tiveram no ano passado um crescimento mais reduzido, em 5,2%, contra os 5,7% do ano anterior, com o país a comprar menos bens ao estrangeiro e adquirir, por outro lado, mais serviços no exterior.

O que também ficou abaixo das previsões do governo para 2019 foi o emprego, que cresceu apenas 0,8%, por comparação com a subida esperada de 1%. Em particular, o último trimestre de 2019 refletiu já uma desaceleração no mercado de trabalho, com os novos postos de trabalho preenchidos a não terem um impulso superior a 0,3%. Em 2018, o emprego melhorou em 2,3%.

 

Atualizado com mais informação às 12h14

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