Imobiliário

Subida do preço das casas “não é sustentável”

Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens
Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens

Preços poderão crescer mais 4% em 2017. Investidores e famílias começam a olhar para as periferias como alternativa aos centros históricos

Os preços da habitação em Portugal dispararam 7,1% no ano passado, mais do dobro do verificado em 2015. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística, que destaca que esta subida é a mais elevada desde o quarto trimestre de 2010. Este ano, de acordo com as projeções das imobiliárias, as casas poderão ficar ainda mais caras, impulsionadas pelo aumento da procura por parte de investidores estrangeiros, mas também já de muitos nacionais. Mas alertam que este crescimento “não é sustentável” – os preços irão continuar a aumentar, “mas de forma mais moderada”, prevê Ricardo Sousa, da Century 21. Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, estima uma valorização em torno dos 4% este ano.

2016 foi o quarto ano consecutivo de aumento no número de vendas de residências, com um total de 127 106 transações realizadas, num valor global superior a 14,8 mil milhões de euros. Tanto o número de operações, como o valor total cresceu acima dos 18%. Para o diretor-geral da ERA Portugal, Miguel Poisson, a explicação para estes números reside na procura crescente do país como destino de investimento por parte de estrangeiros, mas, também de portugueses que, descontentes com a fraca rentabilidade dos produtos financeiros e dos depósitos bancários, viram no mercado imobiliário uma boa aposta, na medida em que “é fácil conseguir rentabilidades acima dos 5%”.
A melhoria da confiança das famílias e a disponibilidade da banca para financiar a aquisição de habitação são outros fatores a ter em conta. “Em 2016, a classe média regressou em força, foram as famílias o verdadeiro motor do crescimento”, diz Ricardo Sousa. Os números não enganam: o crédito à habitação cresceu 44%.

“As condições de mercado encontram-se claramente favoráveis à dinâmica imobiliária e as expectativas apontam para que os preços e a procura continuem a crescer em 2017”, defende Ricardo Guimarães. Miguel Poisson concorda e estima que o crescimento das vendas deverá ser na ordem dos 20%. A APEMIP, a associação dos mediadores, fala em subida de 30%.

O diretor da Confidencial Imobiliário espera, apesar disso, um agravamento dos preços de 4% este ano, “mais alto nas regiões de Lisboa e Algarve e o Porto a mostrar-se um pouco menos acelerado, ficando-se pelos 2,6%”. Lisboa tem já um preço médio por metro quadrado de 2318 euros, um valor superior em mais de 80% ao preço médio do Porto (1265 euros) e ao nacional (1.279 euros). E nos centros históricos, os mais procurados, os valores chegam aos 8000 euros por metro quadrado em Lisboa e aos 3000 euros no Porto. “Apesar da procura pelo Porto ter vindo um pouco mais tarde, começa já a escassear a oferta”, alerta o responsável da Era. Há que ter em conta que quase 40% das intenções de compra de habitação, nos primeiros dois meses do ano, foram no Porto, onde a procura de casas ultrapassou, pela primeira vez, a região de Lisboa.

E os preços vão continuar a disparar? Ricardo Sousa acredita que não. Não só porque a carteira dos portugueses não o comporta, como os próprios clientes internacionais procuram casas mais baratas. “O perfil médio do cliente europeu que hoje procura investir em Portugal é para propriedades abaixo dos 200 mil euros. E quer mais opções, fugindo já dos grandes centros. Acreditamos que isso vai criar um equilíbrio de mercado e condicionar a subida dos preços”.

As famílias voltam a interessar-se pelas periferias, onde os preços têm margem para subir um pouco mais. “Há muitos investidores a apostar na compra para remodelação e colocação no mercado de arrendamento, rentabilizando os investimentos”, garante Miguel Poisson.

ENTREVISTA:

“Os bancos estão a baixar spreads”

Ricardo Guimarães
Confidencial Imobiliário

O mercado de habitação está a crescer há quatro anos. A que se deve essa recuperação?
Está, globalmente, a recuperar, mas não chegou ainda ao patamar pré-crise. Mas é um mercado completamente diferente, muito menos monofuncional, muito menos dependente do crédito, e muito menos dependente da procura interna das famílias, graças ao impulso do turismo e dos investidores estrangeiros. A criação dos vistos gold foi um momento determinante para retirar o mercado imobiliário da letargia em que estava.

Mas o crédito à habitação está a crescer…
Sim, mas é um terço do que era em 2007. De qualquer forma, os bancos estão a aproximar-se do mercado, quer em oferta quer em preço, baixando os spreads.

E construção nova?
Há um crescimento muito significativo do número de projetos em pipeline de construção nova. É a resposta à falta de produto para responder à procura.

Faltam casas ou são desadequadas?
Os centros históricos estão, cada vez mais, virados para o arrendamento de curta duração. Mas isso também abre oportunidades à reabilitação das periferias e das cidades de segunda linha. É preciso dar tempo ao mercado para que todas esta variáveis encaixem.

 

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