Emprego

Subsídio de desemprego aumentou 10 euros desde o início do ano

Fotografia: Sérgio Freitas/Global Imagens
Fotografia: Sérgio Freitas/Global Imagens

Cada desempregado está a receber, em média, 457,31 euros por mês. Subsídio tinha atingido, em janeiro, o valor mais baixo desde 2005.

O subsídio de desemprego aumentou, em agosto, para um valor médio de 457,31 euros. São mais 10 euros do que no início do ano. Em janeiro tinha registado o valor mais baixo desde junho de 2005 – 447,39 euros.

A explicação é a saída de trabalhadores com salários mais baixos das listas de desemprego, ou porque arranjaram trabalho ou porque perderam o direito a este apoio social. E essa é a má notícia: apesar da descida do desemprego, há ainda mais de 283 mil desempregados que não têm direito a subsídio, 56,8% do total de pessoas sem trabalho; há um ano a percentagem era de 54,8%.

“Muitos desempregados têm apenas o ensino básico e, portanto, têm um salário baixo. Quando vão perdendo o direito ao subsídio, o valor médio pago pela Segurança Social aumenta”, explica o economista Eugénio Rosa. Por outro lado, há desempregados de longa duração mais velhos que “ou vão para a reforma ou passam a inativos, e deixam de constar como desempregados, influenciando também o valor do subsídio”.

Em agosto, de acordo com os números do IEFP, havia 498 763 desempregados inscritos nos centros de emprego, menos 37 818 que há um ano (-7%), depois de, em julho, o número de desempregados inscritos ter baixado da fasquia dos 500 mil, pela primeira vez desde agosto de 2008. “A descida do desemprego fez-se sentir em todos os níveis de instrução. Mas o decréscimo mais elevado verificou-se precisamente no primeiro ciclo do ensino básico com -11,9% face ao mesmo mês de 2015”, reconhece o IEFP. Os desempregados de longa duração, inscrito há pelo menos um ano, diminuíram 9,1%.

A melhoria do mercado do trabalho traduziu-se na quebra do número de desempregados sem subsídio. De acordo com as contas do Dinheiro Vivo, 283 432 desempregados não auferiam qualquer subsídio em agosto. São menos 10 748 pessoas que no primeiro mês do ano. Mas como o número de desempregados baixou mais rapidamente, a percentagem dos desempregados sem subsídio voltou a agravar-se, aproximando-se a passos largos dos 60%.

Pedro Raposo, professor da Universidade Católica, considera que parte da explicação está no “elevado número de jovens no primeiro emprego que, posteriormente, engrossam as filas do desemprego”. Estes têm direito a apenas um ano de subsídio. Segundo as regras atuais da Segurança Social, um trabalhador com menos de 30 anos terá direito a 330 dias de subsídio, mas só se tiver registo de remunerações de 24 meses ou mais. E não adianta alargar os prazos do subsídio. “Está estudado que em Portugal e em outros países, como França e Espanha, há um grande número de desempregados que só conseguem trabalho mesmo no limite do fim do subsídio”, sublinha.

Lisboa tem o subsídio de desemprego médio mais alto do País – 510,05 euros: No Porto são apenas 445,48 euros. O valor mais baixo é pago aos desempregados do Açores: 406,77 euros. E destaque para Santarém, onde o valor pulou para 455,55 euros, mais 26,45 euros do que no início do ano.

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