Subsídios de doença em máximo histórico devido à pandemia

A covid-19 fez disparar, em abril, para mais de 200 mil o número de beneficiários, o valor mais alto desde que há registos deste apoio.

É mais um indicador que mostra o efeito da pandemia de covid-19 na população e na economia portuguesa. No mês de abril, o número de pessoas a receber o subsídio de doença disparou face ao mês de março, atingindo o valor mais elevado desde que há registos públicos da Segurança Social, que remontam a janeiro de 2001.

Os dados divulgados esta quarta-feira, dia 20 de maio, mostram uma subida de 26% em abril, comparando com o mês anterior, representando mais 41 398 pessoas a receberem esta prestação social.

"Os efeitos da pandemia provocada pela doença covid-19 estarão refletidos nos significativos aumentos de subsídios por doença processados em abril de 2020, um total de 200 750 subsídios", refere a síntese de informação estatística da Segurança Social, acrescentando que "estes totais englobam, além das baixas por contágio pelo vírus, o subsídio por isolamento profilático por covid, que foi agrupado com o subsídio por tuberculose, por partilharem condições de atribuição idênticas".

Olhando para este grupo de beneficiários a receberem esta prestação social (tuberculose), o aumento é exponencial. "Observando em separado o grupo "Outras Doenças" e o grupo "Tuberculose e Isolamento Profilático por covid", verificou-se uma variação, face a março de 2020, de 21% no primeiro caso e muito significativa, de 418 beneficiários para 27 011, no segundo caso", refere a Segurança Social, ou seja, um aumento superior a 6000%.

O aumento é expressivo, tendo em conta que neste grupo (tuberculose) a média dos últimos dez anos rondava os 400 beneficiários.

De acordo com os dados, há mais mulheres do que homens a receber o subsídio de doença. "115 104 beneficiárias são do sexo feminino (57,3% do total), o que representa um aumento mensal de 19,6% (mais 18 863) e de 37,6% face ao período homólogo (mais 31 461). O sexo masculino reuniu 85 646 beneficiários (42,7% do total), registando um aumento de 35,7% face a março (mais 22 535) e uma variação homóloga de 54,4% (mais 30 182)", indica a síntese.

Distritos mais afetados com maiores aumentos

Desagregando os dados por distritos, permite perceber que as geografias mais afetadas pela doença foram aquelas em que esta prestação social também registou grandes saltos.

É o caso do distrito de Aveiro, onde se situa o concelho de Ovar que esteve sujeito a uma cerca sanitária. Durante um mês ninguém entrou nem saiu do concelho que ficou isolado devido a um surto de covid-19.

No distrito de Aveiro, a Segurança Social mais do que viu duplicar o número de beneficiários do subsídio de doença, passando de cerca de 14 mil em março para mais de 30 mil em abril.

 

Mas também os distritos do Porto e Braga registaram aumentos significativos. No caso do Porto, a subida foi de 30%. Em Braga, foi mais expressivo ultrapassando uma variação mensal de 32%. Nestes dois distritos estão localizadas muitas indústrias do calçado e do têxtil e onde se registaram os primeiros surtos da doença.

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