Substrato funcional biodegradável, para plantação, produzido em módulos

Horto da Cidade criou o Biosubstratpot, um substrato funcional para plantação, produzido em módulos sucessivamente acopláveis, que evita o uso de vasos plásticos, o stress radicular e morte das plantas nas operações de mudas e promove a poupança de água.

A Horto da Cidade criou um substrato funcional, 100% biodegradável, que funciona, cumulativamente, como substrato e “vaso”, dispensando o uso do habitual vaso plástico e outros substratos. O Biosubstratpot, que valeu à empresa de Santo Tirso um lugar nos finalistas do Prémio Inovação NOS, deverá chegar ao mercado em 2020 e tornará os hortos muito mais ecológicos.

O Biosubstratpot “é composto 65% de biorresíduos e 35% de biorresinas, biopolímeros, biocidas e biofertilizantes naturais que depois na terra se decompõem naturalmente”, explica o gestor do projeto Jorge Carvalho.

Os substratos têm formas acopláveis, ou seja, há módulos de substrato de diferentes tamanhos, que se encaixam, sucessivamente, uns nos outros ao longo do processo de crescimento da planta. Há módulos de substrato acopláveis de diferentes dimensões e composições distintas para responder às diferentes necessidades de cada planta e respetivas fases da produção.

No primeiro módulo de substrato é colocada a semente ou outra forma de propagação vegetativa. A planta desenvolve-se nesse módulo e durante o seu crescimento são acoplados, sucessivamente, módulos maiores, com composições ideais para a fase vegetativa que a mesma desenvolve em função do objetivo pretendido (crescimento vegetativo, floração, frutificação, etc.) até que a planta fique pronta para ir para o jardim ou casa de um cliente.

Segundo Jorge Carvalho, atualmente, o processo de produção de plantas fora do solo, tem de recorrer a vasos ou placas de material não biodegradável (vasos plásticos de distintas composições) ou mesmo biodegradável (coco, papel reciclado ou outro) ou a material inerte (pedra, argila, cimento...).

Não existe nada com as características do Biosubstratpot, que é “um substrato natural agregado com composições e processamentos biodinâmicos específicos para cada cultura e fase vegetativa, esponjoso, hidrófilo e permite hidroscopia distinta em função da sua composição”, explica Jorge Carvalho. Estas características permitem poupanças na quantidade de água e de agroquímicos de fertilização usados, “bem como na de energia térmica, porque o produto permite que as raízes das plantas aguentem temperaturas negativas com alguma facilidade”, acrescenta.

A ideia surgiu em 2013, depois de Jorge Carvalho e a sua equipe terem constatado vários fatores. Por um lado, perceberam que, só na Europa, “são produzidos e gastos cerca de 250 mil toneladas de vasos plásticos por ano”. Por outro, verificaram que, nas mudas entre vasos feitas nos hortos, havia geralmente “uma quebra de produção na ordem dos 5%.”. Finalmente, os gastos de água eram muito elevados.

O Biosubstratpot responde a todos aqueles problemas, na medida em que é um substrato biodegradável que funciona cumulativamente como “vaso”, dispensando assim o uso de vasos plásticos, possui propriedades termo protetoras que evitam a gelificação e insolação radicular, e propriedades higroscópicas específicas que permitem a poupança de água, bem como, evita stresse radicular e a morte nas operações de muda tradicionais, já que, com o Biosubstratpot os incrementos substráticos são feitos por acoplamento de módulos maiores à medida que a planta se desenvolve.

O produto foi desenvolvido em 24 meses, com a ajuda do grupo empresarial Plandor e da Universidade do Minho e com financiamento comunitário. Está há dois anos em ensaios para avaliar o desempenho real, numa parceria estabelecida com quatro produtores - um em Espanha, um em Itália e dois portugueses. “Os resultados têm sido excelentes. Para a sua produção, no entanto, é necessário criar equipamento específico e é o que a empresa está a fazer, a criar equipamento para a sua produção massiva”, conta Jorge Carvalho. Em paralelo, a empresa está a desenvolver novas formulações com composições distintas, para se adequar a todo o tipo de plantas.

O investimento “ronda já os 412 mil euros e deverão ser necessários mais de 300 mil euros até à entrada do produto no mercado”, algo que deverá acontecer “em 2020”, diz o gestor do projeto.

A Horto da Cidade tem já contactos avançados com interessados europeus, americanos e brasileiros, que pretendem fazer a divulgação e distribuição nos respetivos países. O produto destina-se sobretudo a produtores de plantas, mas poderá ser, também, usado pelo consumidor final.

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