Consumo

Sumos e bolachas? 48% dos portugueses querem estender imposto do açúcar

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Conclusões fazem parte do II Grande Inquérito sobre a Sustentabilidade em Portugal, encomendado pela Missão Continente

Cerca de metade dos portugueses (48%) veem com bons olhos estender o imposto sobre o açúcar que tem incidido sobre os refrigerantes a outros produtos, sobretudo, sumos, bolachas e doces, com 60% a concordar com as medidas do Governo que impôs taxas aos produtos com excesso de sal e aos refrigerantes com excesso de açúcar.

As conclusões fazem parte do II Grande Inquérito sobre a Sustentabilidade em Portugal, encomendado pela Missão Continente ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa), conhecido esta terça-feira.

Uma amostra de 1600 portugueses, com mais de 18 anos, foi inquirida no âmbito deste estudo realizado para Missão Continente que dá pistas sobre os hábitos de consumo dos portugueses, bem como o que consideram que deve ser o papel do Estado como promotor de hábitos alimentares mais saudáveis, entre outras temáticas.

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Mais de metade dos portugueses (60%) concordam com as recentes medidas do Governo sobre a aplicação de taxas tanto aos produtos com excesso de sal, como aos refrigerantes com excesso de açúcar, diz o estudo, com cerca de 48% dos portugueses a considerar que tal deve estender-se a outros produtos, sobretudo aos sumos, às bolachas, chocolates e doces.

“Quanto às políticas públicas, os portugueses revelam grande recetividade à intervenção do Estado para contrariar práticas nocivas e estimular hábitos alimentares benéficos para a saúde e para o ambiente”, refere o estudo. Os portugueses querem que os refeitórios públicos reduzam a oferta de refeições menos saudáveis (82%), que haja um incentivo ao uso de alimentos de agricultura biológica nos refeitórios (78%), que sejam proibidos produtos pouco saudáveis nos bufetes escolares (79%), bem como que haja limites à publicidade para as crianças no que respeita a alimentos menos saudáveis (74%).

O período troika ainda está a ter impacto nos hábitos de consumo dos portugueses, com 61% dos consumidores a admitir ter alterado as suas práticas em consequência da crise, sendo que, “muitos mantiveram-nas no período pós-crise, sendo de destacar que cerca de 23% admitiram ter mudado de uma forma radical os seus hábitos de consumo após a crise”, refere o estudo.

“Os cidadãos mantêm-se particularmente atentos à gestão adequada dos orçamentos familiares e perante eventuais situações de acréscimo de rendimento privilegiam os cuidados de saúde (sobretudo os mais velhos) e a poupança (sobretudo os mais novos)”. Desemprego/Precariedade Laboral (38,8%) e os Salários baixos/Poder de compra (29,2%) são, de resto, as principais preocupações referidas pelos inquiridos.

9. Substituir a fruta por sumos verdes e smoothies

A questão da corrupção é também encarada como extremamente problemática por 26% dos inquiridos, logo seguida por 24,5% com o acesso à saúde (sobretudo os mais velhos). Já entre os mais novos, as preocupações ambientais geram maior preocupação com com 19,6% dos inquiridos a considerarem que a degradação ambiental e os riscos inerentes são os principais problemas com que Portugal se confronta. “Daí se justifica, por exemplo, que os consumidores abordados se mostrem disponíveis seja para reduzir o consumo de plásticos recorrendo a embalagens mais duráveis e reutilizáveis (34,9%), seja para substituir o plástico por outras alternativas biodegradáveis (34,6%) ou para promover a sua recolha e reciclagem (30,6%).”

Os portugueses mostram-se igualmente dispostos a mudar os seus hábitos alimentares, com 50,6% dos inquiridos predispostos a reduzir o consumo de carne (com 22,4% afirmando até estar ‘totalmente dispostos’), 45,1% dispostos a seguir uma alimentação de base vegetal, e 46,6% dispostos a pagar mais por carne produzida de forma sustentável.

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