Super espião dirige MBA em gestão do conhecimento. Em Coimbra

Jorge Silva Carvalho
Jorge Silva Carvalho

Durante 20 anos esteve ligado aos serviços de inteligência nacional: dirigiu o SIED - Serviço de Informação Estratégica de Defesa. Agora Jorge Silva Carvalho, o super espião, quer ajudar os gestores portugueses a melhor gerirem o conhecimento e a inteligência competitiva das suas empresas.

A partir de outubro arranca o MBA em Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva, na Coimbra Business School. Silva Carvalho é o diretor científico.

Numa altura em que as empresas portuguesas estão focadas na internacionalização, a gestão da inteligência e do conhecimento é “essencial para desenvolver a estratégia”, disse ao Dinheiro Vivo Silva Carvalho. “O processo de decisão é tanto melhor quanto mais conhecedor, mais baseado em factos for”, afirma. Permite uma melhor avaliação dos riscos, que vão muito além de questões financeiras. “Há que avaliar práticas relacionadas com o mercado, a segurança”, exemplifica. E gestão de conhecimento não é gerir conhecimentos. “Não somos uma sociedade de conhecimento, mas de conhecimentos. Enquanto assim for teremos sempre problemas”, reforça. “Muitos dos desaires que as nossas empresas enfrentam lá fora devem-se ao facto das pessoas não se prepararem”, considera. E na gestão de inteligência “a preparação é tudo”.

Este não é um MBA para preparar espiões – “faço questão que não o seja”, frisa – mas, Silva Carvalho considera que os gestores devem aprender a defender as suas companhias de “um mundo de ameaças: qualquer empresa está sujeita a fugas de informação, a burlas”. Afinal, “nem todas as empresas do mundo têm as melhores práticas concorrenciais.”

Numa fase de internacionalização, as empresas nacionais devem ter a espionagem industrial na sua lista de preocupações? “Sem dúvida”, diz. “O ambiente externo às empresas, cada vez mais globalizado e competitivo, propicia o aumento do risco de espionagem económica”, diz. “Os processos de internacionalização em particular, por implicarem atividade em diferentes jurisdições com diferentes enquadramentos legais, colocam dificuldades acrescidas”, continua. Preocupação “ainda mais incisiva”, quando o “capital intelectual” é um ativo cada vez mais importante nas empresas.

Por isso, o MBA (208 horas, de outubro até julho de 2015) dedica particular atenção à segurança. “Numa perspetiva de fazer face e antecipar o risco não financeiro para a empresa e respetivos projetos”, precisa. “A segurança não é um custo, mas um investimento e em processos de mudança, nomeadamente de internacionalização, é um investimento fundamental”, reforça. Silva Carvalho foi constituído arguido no processo das secretas.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(DR)

Crédito ao consumo dispara 15% em outubro

(Paulo Spranger/Global Imagem)

Indemnizações pagas pelo Fundo de Garantia Salarial não escapam ao IRS

CP tem de entregar contrato de serviço público com o Estado até 31 de dezembro. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

CP: Adiamento de manutenção de comboios regionais vale demissão

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Super espião dirige MBA em gestão do conhecimento. Em Coimbra