aviação

TAP. “Há 5 anos não conseguíamos pagar contas. Hoje podemos comprar aviões”

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves. 
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Em entrevista ao El País, o presidente da TAP antecipa prejuízos superiores a 150 milhões de euros em 2019.

Os prejuízos da TAP deverão ultrapassar a fasquia dos 150 milhões de euros em 2019, depois de terem ascendido a 118 milhões de euros no ano anterior. Até outubro, a companhia aérea acumulou perdas de 111 milhões. Quem o afirma é o próprio presidente da TAP em declarações ao jornal espanhol El País publicadas este domingo.

“Estamos a atravessar um enorme processo de transformação. Não vamos arriscar o longo prazo pelo curto. A aviação é um negócio de longo prazo”, afirma Antonoaldo Neves. O responsável justifica as contas negativas da companhia com a compra de novos aviões e o preço dos combustíveis, uma vez que a faturação e o número de passageiros têm aumentado.

“Tudo leva tempo a amadurecer. É preciso experimentar os aviões novos e os antigos não são devolvidos de graça, em média custam cinco milhões de euros”. O responsável explica ainda que a companhia contratou 600 assistentes de bordo e 300 pilotos. “A TAP esteve 20 anos sem investimento. Há cinco anos não conseguia pagar as contas. Hoje temos dinheiro para comprar aviões. O futuro da TAP hoje é vibrante, mas precisa de tempo”, destaca Antonoaldo Neves.

Nas declarações ao El País, o líder da TAP comentou ainda a muito falada entrada da bolsa da companhia, lembrando que a TAP é a única grande companhia aérea que não está cotada. “A minha missão enquanto administrador é preparar a empresa para ter acesso a todas as fontes de capital. A bolsa não é necessariamente o destino final mas é importante que a empresa esteja preparada”.

O responsável garante também que as relações que mantém com o Governo de António Costa são “boas”, e que a TAP “já não contribui para o défice do estado, pelo contrário”. Nos últimos anos, conclui, “a TAP deixou de ser um problema para o Estado”.

O presidente da TAP deixou ainda críticas à VINCI, a empresa francesa que gere os aeroportos nacionais, afiançando que esta “prejudica” as contas da companhia de aviação. A dona da ANA vai abrir duas saídas rápidas de pista no Aeroporto Humberto Delgado, uma solução que, segundo Antonoaldo Neves, favorece 20% dos movimentos do aeroporto, e nenhum deles é da TAP. “Propusemos outra solução, que favorecia 100%, mas a VINCI não quis. Propusemos pagar a obra mas também recusaram”. Para o responsável, a postura dos franceses é “incompreensível”.

“Não se pode dar as infraestruturas de um país em regime de monopólio sem exigir que façam investimentos”, critica ainda o presidente da TAP.

O jornal espanhol El País falou com o presidente da TAP a propósito do lançamento da ponte aérea transfronteiriça entre Lisboa e Madrid, que começa a 29 de março e prevê oito ligações diárias entre as duas capitais ibéricas. Antonoaldo Neves afirma que as ligações com o país vizinho vão aumentar 40%, estando previstos seis voos diários entre Lisboa e Barcelona, quatro para Sevilha, três para Bilbau, Valência e Málaga e dois para Alicante. Passará a haver duas ligações para Santiago de Compostela e mantêm-se os voos para Tenerife a a Gran Canária. Acaba a ligação do Porto a Barcelona e aumentam para seis os voos diários do Porto para Barcelona.

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