Antonoaldo Neves

TAP vai contratar mil pessoas ainda neste ano

TAP

Mais rotas, pessoas e aviões. Será a marca do segundo ano de Antonoaldo Neves. As nuvens negras terão ficado para trás. Até a pontualidade melhora

A 31 de janeiro de 2018, a TAP pôs ponto final num ciclo. Antonoaldo Neves era então eleito pelos acionistas para um mandato de três anos, sucedendo a quase duas décadas de Fernando Pinto ao leme da companhia. O engenheiro de 43 anos faz um balanço “positivo” deste primeiro ano, mas não esconde que foram meses de “decisões difíceis, muito trabalho, superação e investimento para ser possível reconstruir as bases que permitem à empresa continuar a crescer de uma forma sustentável”.

O arranque não foi fácil, com o início do ano a ficar inscrito na história da companhia como um capítulo negro, com mais de mil voos cancelados devido a greves. Mas o novo CEO conseguiu descolar e recuperar, um ano e 14 acordos sindicais depois, a paz social. O que implicou acudir à falta de tripulação que motivara muitas paralisações. Em 2018, entraram para a TAP 1113 pessoas, das quais 565 são tripulantes de cabine e 138 pilotos. Uma rota que é para manter: já neste ano, a TAP vai contratar mais mil pessoas para responder à expansão que ambiciona, proporcionada pela abertura de novos destinos e pela chegada de mais aviões.

Investir na pontualidade

Entre os desafios que Antonoaldo Neves tem ainda pela frente, a pontualidade é um dos mais prementes. “No início do ano passado, o desempenho da TAP foi marcado por atrasos e cancelamentos inaceitavelmente elevados”, reconhece. “Situação pela qual já pedi desculpa e peço novamente.”

Desde então, “a TAP implementou medidas decisivas em todas as áreas e vimos já o resultado dessa estratégia nos últimos meses do ano”. Com os números de janeiro fechados, a companhia conseguiu posicionar-se “no topo da pontualidade que é possível alcançar no aeroporto de Lisboa”, garante o CEO, ainda que reconheça que “a TAP tem muito mais voos” do que as outras companhias que aterram na Portela. “81% dos voos da TAP saíram no horário. Atingimos cinco dias acima dos 90% e duas semanas acima dos 80%, com a ponte aérea a ter 86% de pontualidade.” De acordo com a FlightStats, só a Ibéria/BA/Vueling ficaram à frente da TAP neste primeiro mês. Uma melhoria em que o gestor patilha os méritos: “Agradeço a todos os passageiros; e também aos trabalhadores e parceiros todo o esforço que fazem para melhorar, minuto a minuto e de forma consistente a nossa pontualidade.”

Ainda que a empresa não revele o que teve de pagar em indemnizações pelos atrasos em 2018, o gestor admitiu que rondariam os 40 milhões. Mais uma razão para ser uma questão primordial. “Estamos altamente focados em melhorar a confiabilidade nessa vertente, que continua a ser uma prioridade.” “E estamos muito confiantes de que os investimentos no Aeroporto Humberto Delgado vão ajudar a melhorar”, disse ao Dinheiro Vivo.

Aeroporto melhorado

Com a infraestrutura aeroportuária que serve a capital pelas costuras, governo e ANA acordaram a criação de um aeroporto complementar no Montijo. A Portela vai, ainda assim, ter de sofrer obras para aumentar a capacidade. Não há datas oficiais para o arranque do processo, o que pode significar que neste verão o aeroporto vai ter de sobreviver com a mesma capacidade – o que tem sido motivo de queixa por parte de vários atores do setor do turismo.

“Cada minuto de atraso pode custar, em média, até 130 euros à TAP”, afirma Antonoaldo Neves, que justifica a urgência das alterações no aeroporto de Lisboa. “Acreditamos que há consenso entre as partes envolvidas [governo, ANAC, NAV e ANA ]: é urgente investir na Portela. É preciso aumentar as saídas rápidas, taxiway [percurso percorrido antes de descolar ou depois de aterrar], posições de estacionamento e terminal. A falta de saídas rápidas, por exemplo, penaliza a pontualidade todos os dias. Para se ter uma ideia, os estudos mostram que a falta de saídas rápidas atrasa hoje cada voo até 0,8 minutos.”

16 milhões de passageiros

A TAP transportou em 2018 cerca de um milhão de pessoas a mais do que em 2017. A ambição é crescer 1,5 milhões/ano até 2023. Os passageiros transportados em 2018 “representam receitas (direta e indireta) para o país de quase oito mil milhões de euros, segundo consultoria estratégica. A meta é chegar aos 20 milhões de passageiros até 2020”.

Para cumprir este objetivo, as rotas para a América são fundamentais. O número de turistas americanos tem crescido – 796 mil hóspedes até novembro – e a TAP anunciou já o lançamento de novas rotas para os EUA. O programa Stopover – que permite fazer escala em Lisboa ou no Porto sem custos adicionais – tem dado frutos e “vai continuar a ser um trunfo”. “Só sobrevivemos como companhia portuguesa se mantivermos uma estratégia de crescimento. As rotas americanas são fundamentais, é um mercado onde só entra quem conhece. A TAP, por via do seu acionista, passou a ter acesso a um mercado que não tem a volatilidade do Brasil.”

Petróleo, Brasil e Angola

A TAP Manutenção Brasil – que recebeu injeções de capital de milhões ao longo dos anos – era um dos principais desafios. A TAP fechou em 2018 a operação de Porto Alegre (Brasil) e o objetivo é que neste ano seja atingido o break-even operacional. “Passámos também o último ano a trabalhar para solucionar um dos grandes desafios, a TAP ME Brasil. Investimos para resolver o problema do prejuízo da Manutenção e neste ano vamos já recolher frutos deste investimento.”

Em 2018, a subida do preço dos combustíveis “impactou em mais de 160 milhões o resultado financeiro face a 2017”. Por outro lado, “a volatilidade das moedas de Angola e Brasil foi um grande desafio. Apesar das perdas cambiais, conseguimos repatriar mais de cem milhões de euros de Luanda, terminando 2018 com mais caixa do que em 2017”.

Nas últimas semanas, a TAP revelou ao mercado ter conseguido empréstimos de mais de 240 milhões, reflexo de que a credibilidade da companhia nos mercados está a ser recuperada. Quanto à dívida, Antonoaldo reconhece que “está inserida no contexto da estrutura de capital”. “O objetivo é fortalecer a estrutura de capital para poder continuar o financiar o crescimento. Estamos num processo de ampliação da base de financiadores e de prolongamento do prazo da dívida.”

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