Guerra comercial

Tarifas Trump com impacto reduzido nas exportações portuguesas

Donald Trump
REUTERS/Erin Scott/File Photo
Donald Trump REUTERS/Erin Scott/File Photo

O valor das exportações dos produtos abrangidos pelo agravamento das taxas alfandegárias é residual, com impacto diminuto.

Podia ser pior, mas as exportações portuguesas acabam por “escapar” à guerra comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia. A lista de produtos divulgada na quarta-feira à noite pelo Gabinete norte-americano do Comércio Internacional abrange vários bens, mas os bens portugueses com maior peso exportados para os EUA escaparam ao agravamento das taxas.

Além dos queijos, também a carne de porco, manteiga, frutas e alguns tipos de marisco estarão sujeitos a uma taxa de 25% a partir do dia 18 de outubro. Mas uma consulta – não exaustiva – destes bens exportados para os Estados Unidos permitem concluir que o impacto será muito reduzido. É que de fora da lista ficaram produtos como os vinhos.

Os laticínios poderão ser os mais afetados, mas também neste caso o montante é reduzido. “A medida do ponto de vista político é muito relevante. Mas em termos do setor dos laticínios, o impacto é pequeno”, adiantou Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenalac – Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite. As exportações de laticínios para os Estados Unidos têm pouco peso nas exportações totais – totalizaram 5,8 milhões de euros em 2018, segundo dados da Fenalac.

Os valores totais dos produtos na lista são negligenciáveis tendo em conta o montante das exportações para terras do Tio Sam. Dos produtos consultados pelo Dinheiro Vivo, o valor total não chega a 300 mil euros.

Em 2018, Portugal vendeu aos EUA 2,8 mil milhões de euros, mais 3,1% do que em 2017. O país é o quinto cliente das exportações nacionais e os produtos agrícolas pesam apenas 1,6% no total das vendas.

O agravamento das taxas alfandegárias por parte dos Estados Unidos surge depois de um caso com 15 anos que envolvia alegados apoios estatais ilegais à fabricante aeronáutica Airbus. A OMC autorizou a aplicação das tarifas suplementares para compensar as ajudas da UE à fabricante Airbus. “Os Estados Unidos podem solicitar a autorização do DSB (Dispute Settlement Body) para tomar contramedidas em relação à União Europeia e a certos Estados-Membros, conforme indicado no documento WT/DS316/18, num montante total que não exceda os 7 496 milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros)”, lê-se no relatório da OMC.

O executivo de Donald Trump vai impor também taxas aduaneiras de 10% sobre aeronaves e peças aeronáuticas importadas de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

A Comissão Europeia prometeu, ontem, retaliar na mesma moeda. “Entendemos que, mesmo que os Estados Unidos, tendo obtido autorização da Organização Mundial do Comércio, optem pela aplicação de contramedidas agora seria míope e contraproducente”, referiu a comissária para o Comércio, Cecilia Malmström, em comunicado.

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