INE

Taxa de desemprego cai para 7,9%, valor mais baixo de quase uma década

António Costa, primeiro-ministro, e Mário Centeno, ministro das Finanças. Fotografia: Maria João Gala / Global Imagens
António Costa, primeiro-ministro, e Mário Centeno, ministro das Finanças. Fotografia: Maria João Gala / Global Imagens

Há agora 410,1 mil pessoas sem trabalho em Portugal, menos 21,7% face há um ano, refere o INE.

A taxa de desemprego do primeiro trimestre deste ano caiu para para 7,9% da população ativa, o valor o mais baixo em quase uma década, indicou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). É preciso recuar ao quarto trimestre de 2008 para encontrar um registo inferior (7,8%). Há um ano, a taxa estava em 10,1%.

Este nível de desemprego ainda está acima dos 7,6% previstos pelo governo no Programa de Estabilidade para o ano de 2018 ou dos 7,7% avançados recentemente pela Comissão Europeia. No entanto, a tendência do desemprego tem sido de descida, pelo que estes valores ainda estarão ao alcance.

No novo inquérito trimestral ao emprego, o INE estima agora que em Portugal existam cerca de 410,1 mil pessoas sem trabalho, o que representa uma redução homóloga significativa do contingente de desempregados: são menos 21,7% (menos 113,8 mil pessoas) do que no primeiro trimestre do ano passado.

O INE refere ainda que “a taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) foi 21,9%, o valor mais baixo da série iniciada no 1.º trimestre de 2011”. Nessa altura, o desemprego jovem estava em 28%.

Mas colando as várias séries históricas do INE sobre o mercado de trabalho, percebe-se que o nível de desemprego jovem estará no valor mais baixo desde o 2.º trimestre de 2010, quando rondava os 20,7%.

Por regiões, o desemprego está mais intenso na Madeira e nos Açores, sendo mais leve no Centro e no Algarve.

“No 1.º trimestre de 2018, a taxa de desemprego foi superior à média nacional em quatro regiões do país: Região Autónoma da Madeira (9,1%), Região Autónoma dos Açores (8,9%), Área Metropolitana de Lisboa (8,6%) e Norte (8,1%)”, refere o INE.

“Abaixo da média nacional, situaram-se as taxas de desemprego do Alentejo (7,8%), do Algarve (7,6%) e do Centro (6,3%).”

Desemprego em sentido lato também recua

O INE também mede a subutilização do trabalho, conceito que permite ter uma noção mais aproximada do que é o desemprego real ou em sentido lato. Este terá caído de 18,2% no primeiro trimestre do ano passado para 15,2% nos primeiros três meses de 2018, refere o instituto, o que significa que este grupo passou de 986,1 mil para 825,9 pessoas, respetivamente.

Este indicador obtém-se juntando ao desemprego outras situações de marginalidade ou de precariedade no mercado de trabalho: o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego (os chamados desencorajados).

Portanto, além dos 410 mil desempregados oficiais, o INE acrescenta que “o subemprego de trabalhadores a tempo parcial abrangeu 199,4 mil pessoas, tendo-se mantido praticamente inalterado face ao trimestre anterior e diminuído 8,9% (19,5 mil) em relação ao trimestre homólogo”.

“O número de inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar foi estimado em
16,8 mil, tendo diminuído 30,4% (7,4 mil) em relação ao 1.º trimestre de 2017” e o “número de inativos disponíveis, mas que não procuram emprego foi estimado em 199,6 mil, tendo diminuído 8,9% (19,5 mil) em relação há um ano”.

Jovens nem-nem na mesma

O INE mede ainda outra situação de risco no mercado de trabalho que é o grupo dos jovens que não estão empregados, nem a estudar, nem em formação. No 1.º trimestre de 2018, do total de 2 222,3 mil jovens (dos 15 aos 34 anos), 10,5% (234,1 mil) estavam nessa situação.

Esta taxa manteve-se inalterada face ao trimestre anterior, diz o INE.

Economia ganha 149 mil empregos num ano

Já o emprego aumentou 3,2%, ou seja, a economia ganhou quase 149 mil postos de trabalho em termos líquidos, neste arranque de ano. Atualmente, Portugal tem à volta de 4,8 milhões de pessoas com emprego. Em todo o caso, a criação de emprego abrandou ligeiramente pois tinha sido 3,5% no último trimestre do ano passado.

O INE refere que o aumento homólogo da população empregada ficou a dever-se, essencialmente, ao acréscimo do emprego entre as mulheres (mais 80,4 mil; 3,5%); entre as pessoas dos 45 aos 64 anos (117,2 mil; 6,1%); e entre os que completaram o ensino secundário ou pós-secundário (85,5 mil; 7,0%).

O sector dos serviços continua a explicar a maioria do emprego criado (106,2 mil; 3,3%).

Nos vínculos, os contratos de trabalho sem termo subiram 105,4 mil ou mais 3,5%. A contratação a prazo avançou 7,1% em termos homólogos (mais 48,5 mil casos).

Os contratos mais precários (outro tipo) — que englobam modalidades como contratos de prestação de serviço (recibos verdes); trabalhos sazonais sem contrato escrito; trabalhos pontuais ou ocasionais — aumentaram mais de 3%, para 140 mil casos.

O trabalho a tempo parcial caiu mais de 6%, para 516,9 mil indivíduos no primeiro trimestre deste ano.

(atualizado às 13h00)

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