Taxa de desemprego em março baixou mas há menos pessoas a trabalhar

A população empregada continua a diminuir, tal como a população ativa. Pelo contrário, a população inativa continua a aumentar.

Em plena pandemia, a taxa de desemprego em Portugal parece não refletir a paragem da atividade económica e o aumento do número de desempregados inscritos nos centros de emprego.

"Em março de 2020, a taxa de desemprego situou-se em 6,2%, valor inferior ao do mês anterior em 0,2 pontos percentuais (p.p.), em 0,5 p.p. ao de três meses antes e em 0,3 p.p. ao do mesmo mês de 2019", refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) no destaque publicado esta terça-feira, dia 02 de junho.

Mas esta aparente contradição pode estar associada a um efeito estatístico de base relacionado com a população empregada e população ativa, uma vez que a taxa de desemprego mede a relação entre o número de pessoas desempregadas e a população ativa.

"Comparando com o mês precedente, a população desempregada diminuiu 14,4 mil pessoas (4,3%) e a população empregada diminuiu 26,2 mil pessoas (0,5%). A população ativa diminuiu 40,6 mil pessoas (0,8%) e a população inativa aumentou 39,5 mil pessoas (1,5%). Esta evolução sugere a passagem de empregados e de desempregados para a situação de inatividade", refere o INE.

Neste destaque, "as estimativas definitivas de março de 2020 compreendem os meses de fevereiro, março e abril, enquanto as estimativas provisórias de abril de 2020 incluem os meses de março, abril e maio", lembra o INE, acrescentando que "o impacto da pandemia nas estatísticas do mercado de trabalho está mais patente nas estimativas provisórias de abril do que nas estimativas definitivas de março".

O Instituto Nacional de Estatística alerta para "o especial cuidado a ter na análise das estimativas provisórias apresentadas", referente a abril que podem ainda ser alvo de revisão "substancial".

Desemprego sobe em abril

De acordo com a estimativa rápida do INE, a taxa de desemprego subiu ligeiramente em abril, atingindo os 6,3%, aumentando 0,1 pontos percentuais face a março.

"A estimativa provisória da taxa de desemprego de abril de 2020 foi 6,3%, superior em 0,1 pontos percentuais (p.p.) à do mês precedente e inferior em 0,5 p.p. à de três meses antes e em 0,3 p.p. à do mês homólogo de 2019", refere o gabinete de estatística.

Os jovens foram os mais castigados com a taxa a subir acima dos 20%. "A taxa de desemprego dos jovens foi estimada em 20,2%, a que corresponde um aumento de 1,9 p.p. relativamente à taxa de março de 2019. Já a taxa de desemprego dos adultos foi estimada em 5,3%, igual à do mês anterior", aponta.

Desemprego "real" pode ser mais do dobro

De acordo com o INE, a taxa de subutilização do trabalho, que mede a taxa de desemprego em sentido mais lato, é de quase o dobro, tal como o Dinheiro Vivo já tinha noticiado.

"A subutilização do trabalho abrangeu 663,6 mil pessoas, o que correspondeu a uma taxa de subutilização do trabalho de 12,4%", refere o gabinete de estatística, explicando que "é um indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego".

O INE sublinha que se trata de um indicador relevante dadas a "as restrições à mobilidade associadas à pandemia".

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