Mercado de Trabalho

Taxa de desemprego jovem volta a subir muito com o fim do verão

António Costa, primeiro-ministro. Fotografia: NUNO FOX/LUSA
António Costa, primeiro-ministro. Fotografia: NUNO FOX/LUSA

Desemprego costuma aumentar com o fim do verão, o que estará relacionado com o não prolongamento de muitos trabalhos ligados ao turismo.

A taxa de desemprego jovem registou aumentos pronunciados em agosto e setembro, uma dinâmica que estará relacionada com a não-renovação de contratos no sector do turismo às medidas que se aproxima o final do verão.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa definitiva relativa a agosto (já corrigida da sazonalidade) subiu para 24,8% da população ativa jovem (15 a 24 anos).

O valor preliminar de setembro é 25,7%. O aumento de agosto face a julho é o segundo maior dos últimos cinco anos, desde meados de 2012. Pior do que este acréscimo mensal de 1,6 pontos percentuais só a subida de 1,7 pontos registada em setembro do ano passado.

Depois tem de se recuar até junho de 2012, estava o país em plena crise e ajustamento da troika, para ver um agravamento parecido (também 1,7 pontos).

A atualização das estatísticas mensais do desemprego, divulgada esta segunda-feira, mostra que a intensidade do desemprego jovem costuma aumentar com a aproximação do final do verão, o que estará relacionado com o não-prolongamento de muitos trabalhos ligados ao turismo e à época de veraneio.

Em termos homólogos, a taxa de desemprego jovem continua a cair (era 26,6% em agosto de 2016 e em setembro 28,3%), mas em agosto último essa melhoria foi a mais fraca do último ano e meio.

O desemprego jovem estava a cair até ao final de julho deste ano (chegou a 84,9 mil casos), mas em agosto começou a subir, tendo chegado a 92,6%.

O valor provisório de setembro aponta para cerca de 96,4 mil jovens sem trabalho no país. Ainda assim, o valor definitivo de agosto traduz-se numa redução de 3% face a igual mês de 2016, mas já esteve a cair muito mais.

A questão do desemprego jovem continua a preocupar as autoridades pois é visto como um problema crónico e fonte de precariedade.

FMI tocou no assunto

A última análise sobre este assunto veio este mês do FMI. No economic outlook, a instituição alertou o governo para a necessidade de flexibilizar mais o mercado de trabalho de modo a aproveitar ao máximo os recursos humanos existentes, fazendo baixar o desemprego.

Os desempregos de jovens e de longa duração continuam a ser problemas graves, indicam os últimos dados oficiais. O FMI defende que é preciso baixar a proteção de quem tem empregos menos precários para abrir mercados aos jovens.

Uma das prioridades defendidas pelo Fundo passa pelas “reformas da legislação em matéria de proteção do emprego de modo a reduzir a dualidade do mercado de trabalho, tais como a flexibilização da contratação e das regras de despedimento dos trabalhadores regulares (por exemplo, em França, Portugal, Espanha)”, refere o estudo divulgado no início de outubro.

 

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