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Taxa de ocupação dos hotéis volta a cair em agosto

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Ocupação hoteleira desce pelo oitavo mês consecutivo. Associação da Hotelaria culpa mundial de futebol e mau tempo.

O mês de agosto voltou a trazer más notícias para o setor hoteleiro, confirmando a tendência dos últimos meses. A taxa de ocupação por quarto sofreu um recuo de 1,3 pontos percentuais (pp), para 87%, motivado pelo decréscimo dos hóspedes estrangeiros, de acordo com dados da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

A queda foi transversal a praticamente todas as regiões, à exceção do Algarve. “O destino que supostamente é o mais vulnerável e está em situação de concorrência com outros destinos turísticos manteve-se estável e cresceu para os 93%”, afirma o presidente da associação patronal da indústria hoteleira, Raul Martins.

Dados do AHP Tourism Monitors mostram que, tanto o Estoril (5,4 pp) como os Açores (5,3 pp) foram as regiões mais afetadas. O Porto estagnou, enquanto o Alentejo desceu (0,8 pp), seguido de Lisboa (-1,4 pp) e Madeira (-2,4 pp).

Um dado positivo é o crescimento dos preços. O preço médio por quarto ocupado (ARR) subiu 6%, fixando-se em 121 euros, enquanto o preço médio por quarto disponível (RevPAR) aumentou 4%, para os 105 euros, face ao período homólogo do ano passado.

Confrontado com a queda na hotelaria ao nível das taxas de ocupação pelo oitavo mês consecutivo, Raul Martins diz que a retoma acelerada dos países da bacia do Mediterrâneo não é sinal de alarme. Mas deixa o recado: “O governo tem de alargar os incentivos ao nível do transporte aéreo como acontece nesses países. Não é baixando o preço dos hotéis que devemos fazer concorrência.”

Para o dirigente, não são os preços muito apelativos de Turquia, Egito e Tunísia que estão a afastar aquele que é o principal mercado emissor para Portugal – o Reino Unido. Mas também já não é só o brexit ou a desvalorização da libra. O presidente da AHP não tem dúvidas de que o arrefecimento da procura por parte dos turistas estrangeiros deveu-se ao mau tempo. “Agora, há hotéis no Algarve com ocupação a 100% em outubro, o que nunca tinha acontecido”, ressalvou ainda.

Por outro lado, acrescenta, o Campeonato do Mundo de Futebol, que terminou a 15 de julho, também teve impactos negativos. “Há duas nacionalidades em que o recuo foi notório: russos e britânicos. No caso dos ingleses, era de esperar, porque “eles gostam muito de futebol”, refere.

Contas feitas, a taxa de ocupação nos hotéis encolheu 1,2 pp até agosto em comparação com o mesmo período do ano passado, fixando-se nos 71%. O RevPAR, por sua vez, está nos 68 euros (+7%) e o ARR nos 96 euros (+9%).

Aeroporto limita crescimento

O dirigente aproveitou também para avançar que vai pedir a revisão do Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos. “Porquê deixar os hostels isolados como se fossem uma coisa esquisita?”, questiona.

Ainda antes da pergunta, também diz que “vamos crescer em número de turistas”. Ao nível das receitas, o objetivo para 2018 já está traçado e são esperados “novos recordes”, mas com condicionantes.
O presidente da AHP lembra que “vamos ter de viver até 2022” com a consciência de que “Lisboa não vai poder crescer mais” por falta de capacidade do aeroporto.

Raul Martins deixa um alerta: “Esta situação não influencia apenas Lisboa como se possa pensar”, uma vez que “quase 40% dos passageiros que chegam à cidade estão em hub”. “O Governo tem de implementar medidas compensatórias nestes quatro anos para que não venhamos a decrescer de forma arriscada”, avisa.

O responsável garante que as intervenções no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, são urgentes, referindo-se à implementação de um novo sistema de controlo aéreo e ao encerramento da pista secundária para avançar com a expansão da capacidade da infraestrutura. “A ANA – Aeroportos de Portugal já fez o pedido, até porque isso permite que a TAP consiga ter aviões com maior capacidade e tenhamos mais turistas. Agora, cabe ao Governo decidir rapidamente”, diz.

O representante dos hoteleiros lamenta ainda o atraso das negociações do futuro aeroporto complementar do Montijo. “Há 15 anos, quando ainda se discutia a situação de Alcochete, um presidente da AHP já dizia que a solução seria sempre Portela+1. Hoje, não há dúvidas de que o +1 é o Montijo”, sublinha, acrescentando que, “mesmo que venha a esgotar a capacidade, tem espaço para uma segunda pista”.

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