sacos plásticos

Taxa dos sacos de plástico leva a despedimentos e menos faturação

O consumidor habituou-se rapidamente aos sacos reutilizáveis

A tão badalada taxa sobre os sacos de plástico finos, que entrou em vigor há pouco mais de três meses, não terá tido o efeito "verde" desejado pelo Governo. Nem há menos plástico no lixo, nem a medida angariou as receitas estimadas, que reverteriam para a defesa do ambiente. Em contrapartida, há fabricantes em apuros e trabalhadores que perderam o emprego.

No primeiro mês e meio da medida, o Governo arrecadou 1,6 milhões de euros, abaixo do expectável, com 16 milhões de sacos declarados por cinco mil comerciantes. Até ao final do ano, a medida permitiria, segundo as previsões iniciais do Executivo, arrecadar 40 milhões de euros.

“A quebra na produção foi de 90% e a faturação caiu, em três meses, mais de 30%”, revela Paulo Almeida, diretor geral da Plasgal, um dos maiores fabricantes de sacos portugueses. “Os sacos finos representavam 60% da nossa produção, agora são 6% e é tudo para exportar. Mas até isso tem sido difícil”, acrescenta. A empresa não tem estado a despedir trabalhadores, mas deixou de “renovar contratos. Em três meses, foram embora 15 das 115 pessoas que laboravam” na Plasgal.

A adaptação das máquinas para produzir sacos de lixo não é rápida nem barata e também não dá garantias de compensar, ainda que a Silvex, a maior produtora nacional de sacos de lixo, já tenha dito que está a vender o dobro dos sacos desde que os portugueses deixaram de contar com os das compras para depositar os resíduos domésticos.

O diretor geral da Topack, uma das empresas do maior grupo nacional de plásticos, afirma, por seu lado: “Sofremos uma enorme concorrência dos produtos asiáticos. Eles conseguem preços impossíveis de bater e alguns são embalados cá, como se fossem portugueses. Os sacos do lixo não competem pela qualidade, é pelo preço”, diz Borges do Amaral, estimando que a taxa aplicada aos sacos originou uma quebra na produção situada entre 15% e 20%. “Temos prescindido de postos de trabalho e a procissão ainda vai no adro”, avisa.

As encomendas de sacos mais grossos, isentos da taxa, são mais espaçadas e de menor dimensão, porque, como constata a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, “o consumidor adaptou-se rapidamente a reutilizar”. Mas nem por isso diminuiu a quantidade de plástico no lixo. Segundo Luís Veiga Martins, diretor-geral da Sociedade Ponto Verde, nos últimos três meses “foram retomadas cerca de 100 mil toneladas de resíduos de embalagens”, o que representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ou seja, há mais plástico na reciclagem, o que afasta o receio de os portugueses terem abandonado o hábito por falta de sacos grátis para separar os materiais, ainda que o crescimento seja apenas um terço do registado em 2014 face ao ano anterior (9%).

Uma receita onde havia um custo

Para a Grande Distribuição, a medida terá sido vantajosa: ao invés de oferecer sacos de plástico finos, que representavam um custo unitário entre um e dois cêntimos, agora compram sacos isentos de taxa a preços entre cinco e sete cêntimos e vendem-nos ao consumidor a preços que começam em 10 cêntimos, criando uma receita onde antes existia apenas um custo. “E noutros produtos alternativos aos sacos devem ter margens maiores”, acrescentou Borges do Amaral.

“O pequeno comércio absorveu o custo dos sacos grossos, mais caros, e continua a oferecê-los”, acredita Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto. “Nesta altura, mesmo alguns que tentaram impôr o pagamento dos sacos acabaram por recuar”, acrescentou.

Foi o caso da Fnac, que até há cerca de uma semana cobrava os sacos. “Na sequência de algum desconforto entre os clientes, decidimos assumir o acréscimo de custos em prol do serviço de excelência pelo qual a marca se preza e tendo sempre em mente a satisfação do cliente”, justificou Pedro Mata, diretor de comunicação da Fnac.

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