Taxas de juro para novos depósitos a prazo estão abaixo da inflação

As taxas de juro dos depósitos a prazo não param de descer. A média oferecida para novas contas pelos bancos portugueses está em 0,68%, segundo o Banco de Portugal, percentagem abaixo da taxa de inflação no mês de julho, que foi de 0,8%. Neste caso, que alternativas os portugueses têm para rentabilizar as poupanças em segurança?

Contactado pelo Dinheiro Vivo, João Duque recomenda a "criação de escalões de risco para a poupança. Deve ser constituída uma carteira em que, por exemplo, os primeiros mil euros são investidos em produtos mais seguros, como os certificados do Tesouro ou os fundos de tesouraria". Produtos que são "bastante seguros e que já podem dar algum rendimento", refere o professor do ISEG.

Os certificados do Tesouro têm uma subscrição mínima de mil euros e prazo de cinco anos. Oferecem uma taxa líquida média de 1,6%. Contudo, estão sujeitos a penalização dos juros em caso de resgate.

Também geridos pelo Estado, através do IGCP, são comercializados os certificados de aforro, que exigem uma subscrição mínima de 100 euros. O reverso da medalha, no entanto, vai para a taxa base, de 0,7%. Percentagem, ainda assim, acima da previsão da taxa de inflação para 2015, de 0,5%, segundo as previsões do mais recente Boletim Económico do Banco de Portugal.

O professor do ISEG sugere, já no "segundo patamar de risco", o recurso a "fundos de obrigações". Estas carteiras de investimento, neste caso, podem ser constituídas pela aposta em dívida pública de países como Alemanha e Áustria, economias que se encontram entre as melhores a nível mundial e que oferecem "segurança no investimento".

João Duque recomenda, no entanto, "muita atenção aos gestores destes produtos, que podem, entre ativos seguros, colocar elementos tóxicos". Em caso de fraude grave destas instituições, o Sistema de Indemnização aos Investidores, que funciona junto da CMVM, protege os pequenos investidos até aos 25 mil euros por titular.

Os bancos de investimento são outra opção. Com menores custos de estrutura em relação às instituições mais tradicionais, apresentam geralmente taxas de juro líquidas acima da média. Um dos exemplos é o Super Depósito do Banco BiG, que, num prazo a 3 meses, oferece uma taxa de juro líquida de 2%, com um montante mínimo de 500 euros. A mesma taxa é oferecida pelo Banco Best no Depósito a Prazo Já, mas a subscrição mínima é de 2500 euros.

Mas estes produtos só podem ser usados durante 90 dias, ou seja, se o cliente quiser renovar o depósito, as taxas de juro baixam bastante. Estas ofertas também só estão disponíveis para novos clientes, nota a equipa de especialistas da Proteste Investe.

As melhores ofertas, se quiser permanecer nos produtos mais convencionais, passam por prazos mais longos. O Banco Invest comercializa no prazo de 12 meses o Invest Choice Novos Clientes, com uma taxa líquida de 1,44%. Este depósito, com uma subscrição mínima de 2500 euros, tem o dobro da taxa média, segundo o Boletim Estatístico do Banco de Portugal.

Todos os depósitos apresentados estão assegurados até aos 100 mil euros por titular, no âmbito do Fundo de Garantia de Depósitos.

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