Sucesso Made in Portugal

“Temos de trabalhar para atrair os emigrantes”

7º aniversário do Dinheiro Vivo: Conferência - Sucesso Made in Portugal.
Pedro Siza Vieira, Ministro da Economia
(Diana Quintela/ Global Imagens)
7º aniversário do Dinheiro Vivo: Conferência - Sucesso Made in Portugal. Pedro Siza Vieira, Ministro da Economia (Diana Quintela/ Global Imagens)

“Todas as semanas ouço histórias de empresas que precisam de recursos qualificados e se confrontam com a escassez de mão-de-obra.”

O sucesso made in Portugal também pode falar outras línguas. A mensagem vale para as empresas, que exportam ou querem exportar. Mas também pode valer para as pessoas. Assim quer o governo.

O apelo foi deixado pelo ministro da Economia, a quem coube encerrar a conferência do sétimo aniversário do Dinheiro Vivo. Pedro Siza Vieira enalteceu a “natural abertura” das empresas e dos recursos humanos portugueses ao exterior. Mas salientou que, para a economia crescer, é preciso atrair mais mão-de-obra. A começar pela que fugiu com a crise.

“Em 2008 a população ativa em Portugal eram 5,5 milhões de pessoas. No ano passado eram 5,2 milhões. São 300 mil pessoas a menos com disponibilidade para trabalhar. Muitas delas partiram nestes últimos anos e têm qualificações que agora nos fazem falta. Além disso, os portugueses que não estão a nascer cá estão a nascer no estrangeiro. No ano passado foram 16 mil. Há uma tarefa nacional que é atrair estes emigrantes que tanta falta nos fazem”, salientou.

Mas, para que a economia cresça ao ritmo desejado, é preciso seduzir ainda mais recursos, admitiu Siza Vieira. “Também é preciso trabalhar para atrair imigrantes. O tech visa, por exemplo, quer passar por cima da fase de certificação das competências tecnológicas, atribuindo essa responsabilidade aos empregadores. Mas temos de alargar esse programa a outras coisas. Todas as semanas ouço histórias de empresas que precisam de recursos humanos com qualificações específicas e que se confrontam com a escassez de mão-de-obra.”

Uma dessas empresas é a Altran, que minutos antes, pela voz da CEO, Célia Reis, tinha admitido sofrer com a escassez de engenheiros. “Isso pode tornar-se um constrangimento ao crescimento da economia portuguesa. Portugal tem um extraordinário contexto para oferecer ao mundo, mas temos de criar condições para maximizar esses ativos”, concluiu o ministro.
Pelo lado positivo, Pedro Siza Vieira celebrou a “qualidade dos recursos humanos” formados em Portugal nas últimas décadas. Para o ministro da Economia, a mão-de-obra made in Portugal “tem capacidade para estar orientada para resultados, mais do que para seguir processos. Isto não acontece por acaso. O país fez um grande investimento na qualificação dos portugueses e está a colher os frutos disso”. Essa aposta, rematou o ministro da Economia, é o que os investidores “mais valorizam quando vêm, e é também isso que ajuda as nossas empresas a projetarem-se internacionalmente”.

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