Previsões

Tensão social e política e conflitos comerciais põem mundo a meio gás

Os líderes do G7: Giuseppe Conte (Itália), o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o presidente dos EUA; Donald Trump, o presidente de França, Emmanuel Macron, a chancelor da Alemanha, Angela Merkel, o PM britânico Boris Johnson, e Justin Trudeau, primeiro ministro do Canadá, numa sessão do G7. (PHILIPPE WOJAZER / POOL / AFP)
Os líderes do G7: Giuseppe Conte (Itália), o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o presidente dos EUA; Donald Trump, o presidente de França, Emmanuel Macron, a chancelor da Alemanha, Angela Merkel, o PM britânico Boris Johnson, e Justin Trudeau, primeiro ministro do Canadá, numa sessão do G7. (PHILIPPE WOJAZER / POOL / AFP)

Acionista da COSEC antecipa crescimento muito moderado até 2021. Culpas vão da guerra comercial EUA/China ao abrandamento alemão e às novas coligações

Abrandamento é a palavra de ordem para o próximo par de anos. Depois de um ano marcado pela incerteza e abrandamento económico, por tensões sociais crescentes e riscos políticos a alargar-se, e de as alterações climáticas terem assumido um peso avassalador, é preciso que este seja o ano em que o mundo introduz políticas capazes de verdadeiramente potenciar o crescimento. Será porém difícil evitar uma evolução morna em 2020 e 2021, antecipa a Euler Hermes, líder mundial em seguros de crédito que é a principal acionista da COSEC.

“O crescimento global deverá continuar a desacelerar durante este ano, para 2,4% em 2020, depois dos 2,5% em 2019, e recuperar ligeiramente em 2021, para os 2,8%, abaixo do seu potencial, de 3%”, estima a companhia em What to expect in 2020-2021: Defending growth at all costs, antecipando que o “número de empresas em insolvência continuará a aumentar em 2020 (em média, +6%), ainda que a um ritmo ligeiramente inferior ao que se registou em 2019 (+ 9%)”.

Fonte: Euler Hermes

Fonte: Euler Hermes

Destacando uma dezena de fatores-chave para estes dois anos, a Euler Hermes dedica ainda particular atenção às tensões entre Estados Unidos e China, que não se prevê que aumentem mas também não deverão desaparecer, em ano de eleições americanas. “As tarifas médias deverão situar-se nos 7%, por comparação com os 3,5% em 2018”, com as esperadas consequências ao nível da incerteza e do crescimento – com Pequim a não conseguir voltar aos 6,2% do último ano.

A Europa também não ajudará a economia global, crescendo abaixo do potencial de 1,4%, antecipa a seguradora de crédito, que antecipa uma “lenta recuperação da produção industrial” e o consumo a salvar os números de um cenário mais negro – graças à melhoria das condições laborais -, num contexto em que Reino Unido e Alemanha são fatores de maior fragilidade e em que coligações como a que está na base do governo espanhol não ajudam à estabilidade. Sobretudo num momento em que os cidadãos começam a exigir com cada vez mais força políticas fiscais mais redistributivas e menos viradas para as empresas.

Média da OCDE: rendimento das famílias vs. imposto sobre as empresas (Fonte: Euler Hermes)

Média da OCDE: rendimento das famílias vs. imposto sobre as empresas (Fonte: Euler Hermes)

A instabilidade social generalizada neste continente, mas também em geografias tão distintas quanto a América do Sul e Hong Kong, bem como a tensão geopolítica no Médio Oriente, são outras preocupações que a Euler Hermes acredita capazes de dificultar o crescimento neste ano e no próximo. Além dos efeitos do choque ambiental e do Green Deal europeu, que obrigará a um reajustamento profundo e rápido da indústria baseada em combustíveis fósseis num momento em que a transição energética é vista como urgente. Terão as empresas capacidade para acompanhar essa urgência?

Europa quase imóvel

Assim-assim. É o retrato de uma União Europeia que tem perdido gás e que se manterá em banho-maria nos próximos tempos. Se o pior não aconteceu na Alemanha, também não há sinal de boas notícias a caminho, a breve prazo, entende a acionista da COSEC que antecipa que o consumo e o investimento em construção serão os principais motores de uma economia quase estagnada em 2020 (+0,6%) e a adiar a recuperação para o ano seguinte (+1,1% previstos no PIB).

De França, as notícias não são melhores, com o pacote de estímulos de Macron a salvar Paris dos piores efeitos do brexit e do arrefecimento alemão, bem como dos choques económicos internos, nomeadamente fruto da reforma das pensões e das greves por ela motivadas. A instabilidade política em Itália também deverá manter-se – ainda que a nova coligação seja mais próxima da UE do que a anterior e portanto se antecipe menos choques -, pelo que a Euler Hermes não vê que a economia liderada por Giuseppe Conte possa ir muito além dos 0,4% neste ano.

Espanha é outro foco de preocupações e incerteza, com a nova coligação PSOE-Podemos a pôr fim a quase um ano de tentativas frustradas de conseguir formar governo, mas a indicar um caminho menos amigo das empresas e do investimento. Pelo que a seguradora de crédito prevê uma evolução de apenas 1,6% no PIB espanhol deste ano, desacelerando ainda mais, para 1,4% no próximo, com Madrid a perder competitividade, ainda que se preveja mais consumo devido a melhores salários.

Quanto ao Reino Unido, consumado o brexit falta fazer o mais difícil: desenhar o mapa da separação e os novos termos dos futuros acordos comerciais. Ainda assim, o acordo reduziu a margem de incerteza e permitiu à acionista da COSEC levantar a perspetiva de crescimento de Londres de 0,8% para 1% em 2020 e 1,6% no ano seguinte, graças a fatores como maior procura interna e redução para metade do ritmo de insolvências (para 3%).

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