Tentativa de "extinguir sindicato" preocupa BE

BE considera grave ação tomada "depois de se ter esvaziado o direito à greve".

"O Bloco de Esquerda manifesta a sua preocupação com o processo hoje iniciado com vista à extinção do SNMMP."

A reação do partido liderado por Catarina Martins foi esta tarde enviada ao Dinheiro Vivo, depois das notícias de que o Ministério Público está a avançar com uma ação pedindo a dissolução do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) por irregularidades relacionadas com a presença no sindicato do advogado Pedro Pardal Henriques. (Leia aqui o que alega o MP)

O partido, um dos que garantem apoio parlamentar ao governo socialista, vinca mesmo que "o processo hoje anunciado e a sua oportunidade têm uma coincidência perversa com um pré-aviso de greve que não se pode ser ignorada".

Recorde-se que, depois de a greve por tempo indeterminado de agosto ter sido levantada com vista a arrancar com negociações entre patrões e sindicato, e sem que as duas partes, essencialmente divididas por 50 euros, consigam desbloquear um acordo, o SNMMP avançou com novo pré-aviso. A próxima paralisação está neste momento marcada para acontecer entre os dias 7 e 22 de setembro.

Leia mais aqui sobre o que separa os patrões e o sindicato

"Independentemente da verificação por parte da DGERT ou de outras autoridades de irregularidades ou de vícios legais que existam nos atos de constituição deste como de outros sindicatos, o que não pode acontecer é, à boleia deste caso e depois de ter esvaziado o direito à greve com a generalização de serviços máximos e com a banalização da requisição civil, pretender-se agora cavalgar algum aspeto irregular para comprimir as liberdades sindicais", considera agora o BE.

Apesar de tudo, Pardal Henriques e o SNMMP garantem que, a existir, a irregularidade será sanada e a greve acontecerá, ao contrário das pretensões de André Almeida, representante da Antram, que exigia ainda esta tarde que a greve fosse "imediatamente desconvocada".

"O direito à greve e a liberdade sindical são pilares do nosso regime democrático, cuja erosão significa um desgaste da própria democracia", sublinha ainda o Bloco, ao Dinheiro Vivo. com Joana Petiz

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