Documentos eletrónicos

Ter cartões de identificação em telemóveis vai ser uma realidade

A fição torna-se realidade. Algumas situações do filme Blade Runner vão mesmo acontecer.
A fição torna-se realidade. Algumas situações do filme Blade Runner vão mesmo acontecer.

Já faltou mais tempo para podermos ter o passaporte ou a carta de condução nos telemóveis. E vem aí também o reconhecimento facial nos aeroportos.

Ter o passaporte e outros documentos de identificação, como o cartão do cidadão ou a carta de condução, no telemóvel poderá ser uma realidade não muito distante em Portugal.

Quem o diz é Jorge Alcobia, diretor geral da Multicert, que no início deste mês presidiu à 9.ª edição da eID Conference, evento que juntou 250 especialistas de 30 países em Bogotá, na Colômbia, para discutir a evolução e segurança dos documentos de identificação eletrónicos e de biometria.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo na capital colombiana, o chairman da conferência não teve dúvidas em afirmar que os documentos físicos não estão condenados a acabar. “Vão é existir complementarmente”.

Questionado a propósito do repto lançado por uma responsável do Ministério da Administração Interna da Nova Zelândia – país em que já há passaportes nos telemóveis – para que a Europa avance com projetos deste tipo em cinco anos, Jorge Alcobia respondeu que até poderá ser possível em menos tempo.

“Mas como disse, nós já nem precisamos do passaporte. O que já se está a pensar é a possibilidade de existir o reconhecimento facial nos aeroportos”, salientou o diretor geral da Multicert, revelando que isso já está a acontecer num projeto piloto no novo aeroporto do Dubai para os passageiros frequentes.

“Não vai ser daqui a uns anos. Já é uma realidade”, frisou. Jorge Alcobia diz mesmo que já não “estamos muito longe de algumas situações do filme Blade Runner” e que Portugal, por ser um país pequeno, “provavelmente será dos primeiros a adotar soluções deste género”.

Carta de condução mundial
Outro dos projetos discutidos na conferência foi a criação de uma carta de condução eletrónica reconhecida mundialmente.

“O que é esperado é que algures entre o final do próximo ano e princípio de 2019 estejam publicados os standards das cartas. Assumindo que o serão, a forma como em Portugal temos as coisas organizadas permitirá praticamente de imediato ter essa carta de condução eletrónica no telemóvel”, disse.

Sobre a possibilidade de vir a existir um documento único de identificação, o diretor-geral da empresa portuguesa de certificação digital (como o cartão do cidadão e o passaporte eletrónico) defende que no futuro nem será preciso esse documento.

“Há-de haver uma forma de nos autenticarmos perante o Estado e provavelmente o reconhecimento facial é aquele que melhor funcionará, pois a biometria levanta algumas questões”.

“A Apple já se afastou da impressão digital, porque acha que apesar de ser ínfima, a percentagem de erros ainda é significativa”, acrescentou, defendendo que esta solução já deveria estar a funcionar nas Lojas do Cidadão.

Reconhecimento facial
O reconhecimento facial e a biometria são precisamente a base de outros dos projetos apresentados na conferência por uma empresa franco-germânica, a Aevatar.

Basicamente, a solução não é mais do que uma aplicação para smartphones em que se pode ter vários documentos de identificação e fazer transações bancárias autenticadas através do reconhecimento facial ou impressão digital.

“Há muitas soluções. Vamos andar num caminho de uma desmaterialização muito grande e no fim, como disse um americano na conferência, a única coisa que não muda somos nós próprios”, referiu.

Jorge Alcobia salientou que a Multicert também está a desenvolver uma solução em Portugal que permite abrir contas bancárias através do reconhecimento facial e videochamada.

“Esta solução já existia para a venda de crédito. O BNI já vende produtos utilizando esta solução de reconhecimento facial ou videochamada, mas não era permitido abrir contas”, explicou, adiantando que o Banco de Portugal já publicou o regulamento há dois meses e que já estão a implementar esta solução “em quatro ou cinco bancos” e que até ao final do mês estará a funcionar.

Mudar morada num quiosque
Um dos grandes especialistas israelitas e consultor do próprio primeiro-ministro apresentou uma das medidas adotadas naquele país. Quiosques na rua em que é possível, por exemplo, mudar a morada da carta de condução ou mesmo do bilhete de identidade.

“Eles têm os quiosques porque não têm esta funcionalidade nos cartões. E o nosso cartão do cidadão continua a ser um dos mais avançados do mundo e as coisas que precisamos de mudar podem-se fazer online, com um leitor do cartão”, começou por reagir Jorge Alcobia, defendendo em seguida que “entre o Estado investir em quiosques ou em leitores que são relativamente baratos, o Estado deveria vendê-los na Loja do Cidadão a 10/12 euros cada leitor”.

Defendeu ainda que o Estado deveria introduzir “mais aplicações para o cartão do cidadão. Eu deveria poder usar o meu cartão para entregar os impostos”, exemplificou, explicando que uma pessoa pode se autenticar com o cartão mas já não consegue submeter a declaração.

E destacou as funcionalidades do cartão do cidadão na Estónia, que permite às pessoas votar onde quer que estejam. Neste país, aliás, já foi testado a votação eletrónica em eleições locais.

“Nós temos condições já hoje para fazer o voto remoto eletrónico”, garante Jorge Alcobia.

*O jornalista viajou a convite da Multicert

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