Trabalho

Ter licenciatura vale menos um terço do valor salarial do que antes da crise

FEP Junior Consulting Porto de Emprego. Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens
FEP Junior Consulting Porto de Emprego. Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens

A diferença entre os jovens trabalhadores face aos empregados em meio da carreira agravou-se depois da crise financeira.

Ter uma licenciatura ainda compensa quando se fala de salários, mas cada vez menos, especialmente para os jovens trabalhadores. Na última década, “a tendência de retorno crescente para quem tem o ensino superior foi revertida na grande maioria dos países”, refere a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no relatório Tendências Mundiais do Emprego Jovem 2020, divulgado esta segunda-feira.

A OIT indica que esta evolução é mais sentida nos países mais desenvolvidos, os chamados países de rendimento mais elevado, onde se inclui Portugal. “Comparando a variação do retorno salarial do ensino superior para trabalhadores jovens (ou em início da carreira) antes e depois da crise financeira com a variação para trabalhadores a meio da carreira, entre 2006 e 2016, verifica-se que os retornos são decrescentes nos estágios iniciais da carreira”, refere a organização.

No caso de Portugal, a OIT estima que a variação na diferença entre os salários de jovens trabalhadores e os empregados em meio de carreira com o ensino superior antes e depois da crise financeira é de cerca de 30 pontos percentuais. Ou seja, os indivíduos já no mercado de trabalho com idades entre os 30 e os 49 anos de idade tiveram um retorno salarial desta magnitude pelo facto de terem um curso superior.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) já tinha alertado para a perda de valor de uma licenciatura em Portugal.

Mas há um dado que poderá considerar-se positivo: as desigualdades salariais nas camadas mais jovens esbateram-se nos últimos anos, o que pode encobrir um efeito perverso, com salários nivelados por baixo.

A OIT admite que esta evolução poderá estar relacionada com os avanços tecnológicos, a nova economia digital e novas formas de emprego, com contratos de trabalho mais precários (ou inexistentes) e salários mais baixos. “O rápido aumento do número de jovens com estudos superiores na população ativa é superior à procura deste tipo de mão-de-obra o que faz baixar os salários dos jovens com formação superior”, conclui a organização.

Jovens mais expostos à economia informal

O relatório da OIT sublinha que a taxa de participação dos jovens (15-24 anos) na força de trabalho tem vindo a diminuir em todo o mundo. A organização lembra que apesar de maior qualificação, há cada vez mais jovens “nem-nem”, ou seja, não trabalham, não estudam, nem frequentam formação.

No ano passado, em Portugal, mais de 87 mil jovens estavam nesta situação, uma diminuição de quatro mil indivíduos, face aos 91 mil de 2018.

“No mundo existem 1,3 mil milhões de jovens, 267 milhões dos quais são “nem-nem”. Dois terços, ou seja, 181 milhões, são mulheres”, aponta o relatório.

De acordo com o novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “são cada vez os jovens que não trabalham nem estudam, sendo que as raparigas têm mais do dobro da probabilidade de serem jovens nem-nem”.

“A má qualidade dos empregos de muitos jovens manifesta-se nas condições de trabalho precárias, na falta de proteção jurídica e social e nas oportunidades limitadas de formação e progressão profissional”, refere o documento, indicando que “três em cada quatro trabalhadores jovens em todo o mundo estavam na economia informal em 2016, o que mostra a magnitude do problema”.

Formação profissional não salva
A Organização Internacional do Trabalho indica, por outro lado, que a formação profissional pode não ser o caminho para melhorar as condições de trabalho ou criar novas oportunidades. “Os jovens que receberam formação profissional têm mais probabilidades de ter um emprego suscetível de ser autonomizado do que os que têm uma licenciatura”, refere.

“Dado que existem poucas alternativas seguras relacionadas com as qualificações e as ocupações com alto risco de automatização, os jovens menos qualificados e com uma formação profissional talvez se vejam forçados alternar entre trabalhos precários”, acabando na categoria dos “nem-nem”, sublinha a OIT, acrescentando que “é preciso modernizar os programas de formação para que os jovens aprendizes possam adaptar-se melhor às novas exigências da economia digital”.

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