Têxteis galego e nortenho em candidatura comum a fundos comunitários

Em Portugal 85% das firmas têxteis situam-se no Norte
Em Portugal 85% das firmas têxteis situam-se no Norte

Os empresários do têxtil da eurorregião Norte de Portugal e Galiza vão concorrer juntos aos novos fundos comunitários para atingir a "excelência" num setor considerado "estratégico" para o território, foi hoje anunciado por entidades das duas regiões.

A união de esforços, para “aproveitar” as oportunidades do novo quadro de fundos comunitários 20/20, foi formalizada hoje em Vigo com a assinatura de um protoloco de cooperação entre a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) e o Cluster Gallego Téxtil Moda – Confederación de Industriales Téxtiles de Galícia (Cointega) com a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal.

Neste setor, de acordo com dados da Cointega e da ATP, existem nesta eurorregião mais de 10 mil empresas. Em Portugal 85% das firmas do setor estão situadas nos distritos do Porto e Braga. Do lado espanhol, estão na Corunha-Ferrol, Santiago-Ordes, Lalín, Orense, Vigo e Pontevedra-Redondela.

Leia também:Têxteis impulsionam aumento das exportações para Espanha

Alberto Rocha, secretário-geral da Cointega, afirmou que ao longo dos últimos três anos foi feito um “inventário do que existe nos dois territórios de forma a cooperar através da aposta na internacionalização e na busca de oportunidades nos mercados externos”.

“Temos de ser competitivos, temos de saber dar visibilidade ao que existe e potenciar os nossos serviços. Temos que trabalhar na consolidação deste território comum como um espaço de excelência”, sustentou o responsável espanhol na cerimónia que decorreu na sede do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza-Norte de Portugal (AECT), em Vigo.

Para Paulo Vaz, diretor geral da ATP, “abriu-se [hoje] um novo ciclo”, com a assinatura deste protocolo.

“Nesta Eurorregião temos um dos clusters europeus que se pode tornar numa referência mundial e não apenas europeia. Em escassas centenas de quilómetros temos aquilo que de melhor se faz na indústria têxtil europeia, em dois territórios que coexistem, são complementares e podem ser sinérgicos”, afirmou.

Do lado português, este setor é composto, sobretudo, por pequenas e médias empresas, enquanto na Galiza são sobretudo grandes empresas. As exportações galegas subiram 8% em 2013, alcançando um novo máximo histórico, mais de 3,4 mil milhões de euros.

Na região do Norte, o setor, que atualmente emprega mais de 100 mil trabalhadores, cresceu mais de 11%. As previsões da ATP apontam para um volume de negócios de 4,5 mil milhões de euros de exportações este ano.

Desde 2011 o setor, disse Paulo Vaz, já recuperou os valores de exportações anteriores a 2007.

Carlos Neves, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), sublinhou a importância da cooperação numa área “estratégia” para as duas regiões.

“Entre o Norte de Portugal e a Galiza existem evidentes fatores de complementaridade. Se é verdade que nós somos competitivos na produção, a Galiza é muito forte na área comercial e de retalho, na forma como vende o seu produto”, sustentou.

Já Alfonso Rueda, vice-presidente da Junta de Galiza, sublinhou a necessidade de continuar a apostar e a reforçar a cooperação e impulsionar “os projetos de setores que sabem fazer”, como é o caso que do têxtil/moda.

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