Têxteis técnicos

Têxteis. “O desafio é fazer sustentável a custos controlados”

Isabel Furtado é presidente da Cotec Portugal e CEO da TMG Automotive
Isabel Furtado é presidente da Cotec Portugal e CEO da TMG Automotive

As tendências de futuro da indústria têxtil debatem-se no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões

A sustentabilidade foi um dos temas centrais do primeiro dia da iTechStyle Summit, a cimeira dos têxteis técnicos que, até quinta-feira, reúne no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões cerca de oito centenas de participantes, incluindo oradores de mais de 20 países. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, cancelou a sua presença, por “motivo de doença”, cabendo a António Amorim e a Braz Costa, respetivamente presidente e diretor-geral do Citeve, assegurar a abertura dos trabalhos.

“A situação do têxtil e do vestuário, e em especial dos têxteis técnicos, é de difícil interpretação. É um sector verdadeiramente globalizado, no qual o país mais pobre do mundo pode fazer concorrência ao mais rico e em que um ‘bater de asas’ de uma borboleta no Canadá pode trazer problemas ao mundo inteiro”, explicou Braz Costa, lembrando que, no caso específico da indústria nacional, “a crescer há uma década”, há já quem dias menos felizes. O diretor-geral do Citeve desmistifica a situação: “O que vai acontecer é o que sempre aconteceu. Vão surgir dificuldades e nós vamos ultrapassá-las como temos feito sempre”, frisou.

A manhã do primeiro dia foi dedicada às grandes tendências do futuro mais próximo, com a sustentabilidade à cabeça. E porque não basta implementar as preocupações ambientais na sua empresa, mas também saber comunicá-las, o Citeve convidou a italiana Giusy Bettoni, fundadora e presidente executiva da C.L.A.S.S. (Creativity Lifestyle And Sustainable Synergy) para abordar o tema. Porque, como diz Braz Costa, se há quem saiba valorizar bem os seus produtos são os italianos.

Giusy Bettoni lembrou que 66% dos millennials se dizem dispostos a apostar mais em marcas sustentáveis, mas que, na verdade, só 34% destes consumidores compram, efetivamente, produtos sustentáveis. E porquê? Por uma questão de design e de confiança. “Os consumidores não gostam dos que as marcas vendem como sendo sustentável e, mais importante ainda, não acreditam que os produtos são efetivamente sustentáveis. Temos aqui um problema de criatividade, mas, também, de comunicação”, garante.

Questionado pelo Dinheiro Vivo e à margem do evento, Braz Costa acredita que o “desafio está em fazer sustentável a custos controlados” e garante que Portugal “está bem posicionado” para isso. “Nós temos que fazer sustentável porque os preços que são possíveis em Portugal não são compatíveis com produtos básicos que todos são capazes de fazer. Temos que valorizar esta capacidade de fazermos diferente e a sustentabilidade é, claramente, uma das áreas em que estamos muito bem posicionados”, defende. Desde logo porque dois terços da energia elétrica usada pelas empresas em Portugal advém de fontes renováveis. E, depois, porque “há muita gente a reciclar” em Portugal e a “trabalhar materiais reciclados”. Falta é, assegura, “saber valorizar isso e a questão do marketing é fundamental”, diz Braz Costa.

A indústria 4.0 é outra das grandes tendências da sociedade portuguesa em geral e da indústria têxtil em particular. E disso mesmo falou Isabel Furtado, presidente da Cotec Portugal e CEO da TMG Automotive, garantindo que esta é uma realidade a que não se pode fugir. E o desemprego resultante da transformação digital não preocupa a empresária, que acredita que o crescimento económico que resultará da automação e digitalização crescente das empresas “vai obrigar a criar novos postos de trabalho”. O grande desafio, acredita Isabel Furtado, é que “precisamos de definir hoje onde queremos estar daqui por 10 anos e que tipo de skills precisamos de formar”. Sobretudo porque “há um gap enorme entre o que as qualificações que a indústria precisa e aquelas que o sector educativo está a desenvolver”. A educação, acredita, “é o item fundamental do futuro”, não apenas para os operários da indústria, mas, também, para os gestores e até ara os governantes.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Lisboa, Portugal 2

Endividamento das famílias atinge máximo de três anos

Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI. 
(Sara Matos/ Global Imagens)

Em direto. A transformação digital em debate da ACEPI

(Carlos Santos/Global Imagens)

TDT. Anacom arranca com call center em novembro para teste piloto

Outros conteúdos GMG
Têxteis. “O desafio é fazer sustentável a custos controlados”