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Têxtil e vestuário com 640 milhões de euros aprovados no PT2020

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Investimento já aprovado para a indústria corresponde a 10% dos incentivos totais disponíveis para apoio às empresas.

A dois anos do fim do atual quadro comunitário de apoio, o sector têxtil e do vestuário tem já 935 projetos de investimento aprovados e que correspondem a um investimento global de quase 640 milhões de euros. Um valor que representa um crescimento de 61% face aos 397 milhões investidos entre 2007 e 2013 ao abrigo do QREN.

Um aumento “enorme” e que traduz o “grande esforço de modernização” da indústria têxtil e do vestuário nos últimos anos, diz o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, que esta quinta-feira visitou as empresas portuguesas presentes na Première Vision Paris.

O secretário de Estado do Desenvolvimento destacou o esforço de transformação das empresas nas últimas décadas, com a incorporação crescente de design e inovação nos seus processos e produtos, rapidez de resposta e rigor no cumprimento de prazos, bem como a aposta de internacionalização. Uma mudança apoiada “pelas políticas públicas e pelos apoios comunitários”, lembrou. Dos 640 milhões de euros de investimento já aprovados no âmbito do Portugal 2020, cerca de três quartos são destinados a ações de investigação e desenvolvimento, inovação e qualificação das PME. Os 935 projetos aprovados contam com incentivos de mais de 361 milhões, valor que corresponde a 10% dos fundos disponíveis para o apoio às empresas. “Estamos num ciclo claramente positivo que leva a uma vontade de investir, estratégia que me parece adequada para que o sector possa competir na primeira liga a nível europeu e mundial”, sublinhou.

Portugal marca presença nesta que é uma das principais feiras têxteis do mundo com cerca de 70 empresas, mas tem, ainda uma atenção redobrada na secção de manufatura já que é o ‘Focus Country’, a convite da organização, para dar a conhecer “o que de melhor se faz no país nos vários sectores do têxtil”. Pelo certame, que termina sexta-feira e conta com quase dois mil expositores, deverão passar cerca de 60 mil visitantes de todo o mundo.

E foram dois os secretários de Estado que esta quinta-feira visitaram as empresas portuguesas. Além de Nelson de Souza também o secretário de Estado da Internacionalização, quis demonstrar o seu apoio à indústria nacional. Aos jornalistas, Eurico Brilhante Dias falou da evolução do contributo desta indústria para o crescimento do país, lembrando que a fileira da moda, que inclui o calçado e a joalharia, aumentou as suas exportações em mais de mil milhões de euros, entre 2013 e 2017, “mantendo uma taxa de cobertura superior a 100%”, o que “demonstra uma enorme capacidade de ajustamento”, garante.

A indústria fechou 2017 com exportações recorde de 5.237 milhões de euros, um aumento de 4% face ao ano anterior e o valor mais elevado de sempre. Este ano, entre janeiro e julho, as exportações do sector estão a crescer 2,4% e ascendem a 3.233 milhões de euros.

Os mercados extra-comunitários crescem quase 8%. A Otojal, de Guimarães, é um dos exemplos da aposta em novos mercados. O grupo de estamparia e tinturaria esteve recentemente nos Estados Unidos, a participar pela primeira vez da Première Vision New York, uma aposta que se revelou uma “surpresa pela positiva”, explicou Cristina Fonseca ao secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão. “É uma Première Vision mais pequena, mas que já deu resultados. Encontramos clientes pequenos, mas objetivos, que sabem o que querem e estão disponíveis para pagar mais por isso”, explicou a diretora de vendas do grupo, que conta com cerca de 250 trabalhadores.

Dos 10 milhões que fatura a estamparia, 70% são vendas diretas ao exterior. Espanha, França e Alemanha são os principais mercados da marca que conta com um departamento de oito designers e do qual “todos os dias saem novos desenhos e novas propostas. “Temos de alimentar a oferta todos os dias”, sublinha.

Pela primeira vez na feira está a Etexba – Estamparia Têxtil de Barcelos, embora a empresa exista já há 30 anos. Com cerca de 120 trabalhadores e uma faturação de 15 milhões de euros, a Exteba fornece grandes grupos internacionais, como a Inditex, a H&M ou a Moschino, mas procura, agora, dar os primeiros passos na internacionalização, através da criação da marca própria ‘Colorful People’, cujo registo internacional está a decorrer. Criou, também, um site de comércio eletrónico através do qual “qualquer cliente pode fazer o upload de um desenho e receber de volta uma amostra do tecido estampado”. “Queremos ser uma mais-valia junto das grandes marcas internacionais e apoiá-las no que for possível”, diz Luís Marques.

Questionado sobre o desvio de encomendas das marcas da Inditex para a Turquia, o responsável da Etexba reconhece que a desvalorização da moeda turca “tem criado uma enorme pressão” sobre os preços. No entanto, é o disparar do custo das matérias-primas que mais o preocupa. “Os produtos químicos são importados da China e estão muito caros. Houve uma subida do preço dos corantes da ordem dos 50%, mas não sabemos se há algum problema ambiental na China ou se é outra forma qualquer de tentar controlar o mercado”, explica. A solução é investir. “Só podemos competir com inovação, design e rapidez e por isso, só no último ano e meio, compramos mais 20 máquinas, num investimento de quase dois milhões de euros”, refere Luís Marques.

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