OCDE

Trabalhador médio leva para casa 73% do salário bruto

Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens
Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens

Num ordenado anual bruto de 18 343 euros, o português recebe na mão 13 458 euros, segundo dados da OCDE.

Um trabalhador solteiro sem filhos, com o salário médio nacional levou para casa, no ano passado, 73,4% do valor bruto que lhe foi pago. É mais do que em 2017, em que recebeu limpos 72,5% do valor do salário antes de impostos e contribuições para a Segurança Social.

Portugal surge, assim, a meio da tabela da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) que revelou ontem o relatório dos impostos sobre os salários em 2018 (“Taxing Wages”). Comparando com os restantes 32 estados membros, Portugal como o 16.0 país onde a diferença entre o valor bruto e o valor líquido é maior.

Com diferenças ainda maiores surgem a Bélgica onde o peso dos impostos e das contribuições absorveram 38,8% do salário bruto, seguida da Alemanha, com 39,7%, enquanto no extremo oposto está o Chile, com 7%.

Os impostos sobre o trabalho e as contribuições para a Segurança Social absorveram, em média, 26,6% do salário bruto, menos 0,9 pontos do que em 2017.

Traduzindo por números, num salário anual bruto de 18 343 euros, o português médio levou para casa 13 458 euros. Cerca de 15,6% corresponde ao IRS e os restantes 11% à contribuição para a Segurança Social.
A descida face a 2017 é explicada exclusivamente pela redução das taxas de IRS, refletindo, por exemplo, o desdobramento dos escalões que passaram de cinco para sete ou o fim da sobretaxa.

Impostos mais baixos
Portugal foi um dos 12 países da OCDE que baixaram os impostos sobre o rendimento do trabalho de 2017 para 2018. De acordo com o relatório da OCDE, a redução foi de 0,69 pontos percentuais. No ano passado tinha sido registada uma diminuição de 0,22 pontos. A redução foi superior à média da organização que se ficou em 0,16 pontos.

Com um corte maior do que Portugal surgem a Estónia (-2,54 pontos percentuais), os Estados Unidos (-2,14 pontos), a Letónia (-1,29) e o México (0,75).

Apesar de a redução ter sido uma das maiores entre os estados-membros, o país apresenta ainda a 14.ª carga fiscal (“tax wedge”) mais elevada em relação ao fator trabalho entre os 36 países analisados. Significa que 40,7% dos custos dos empregadores com os salários vão para impostos e quotizações para a Segurança Social.

Os cálculos efetuados pela OCDE têm em conta a proporção dos impostos pagos por um trabalhador médio e os custos totais que representam para o empregador. É uma forma de perceber o incentivo (ou desincentivo) ao trabalho e a fazer horas extraordinárias consoante os impostos a pagar.

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