Mercado de Trabalho

Trabalhadores sem diploma estão a descer no elevador laboral

Uma funcionária transporta máscaras de proteção individual na fábrica de confeções Petratex, em Carvalhosa, Paços de Ferreira, 27 de abril de 2020. HUGO DELGADO/LUSA
Uma funcionária transporta máscaras de proteção individual na fábrica de confeções Petratex, em Carvalhosa, Paços de Ferreira, 27 de abril de 2020. HUGO DELGADO/LUSA

Portugal é onde mais aumentou peso de homens e mulheres que só encontram empregos abaixo das qualificações que têm.

Para os profissionais sem diploma, o tiro de partida para o mercado laboral dá-se, cada vez mais, uns passos atrás do que seria de esperar. O desajustamento de competências é cada vez maior não só em Portugal, mas é por cá que mais sobe a proporção de quem estudou até ao ensino secundário e apenas consegue emprego menos qualificado. Afeta, sobretudo, as mulheres.

As conclusões são da OCDE, que no último relatório anual sobre os mercados laborais, o Employment Outlook 2020, procura perceber os efeitos de uma crescente polarização do emprego nas economias avançadas.

O aumento das competências, com mais gente na universidade, mas também a automação e a transferência de empregos de qualificações médias para outros países, estão a encolher as oportunidades de quem não foi além do ensino secundário um pouco por toda a OCDE. Um dos resultados visíveis é o de esses trabalhadores estarem a ser acomodados cada vez mais em trabalhos de baixas qualificações. “Os trabalhadores sem educação superior estão a descer no elevador do emprego”, diz a organização.

Em Portugal, as mulheres apenas com o ensino secundário colocadas em profissões de menor qualificação passaram de 8% para 29%. Nos homens, a percentagem passou dos 8% aos 18% desde meados da década de 1990 até 2018. São os maiores crescimentos observados na análise da OCDE a 25 países.

Não subir é para poucos

Portugal é simultaneamente o país onde é mais difícil fazer o caminho inverso: chegar com qualificações médias aos empregos com mais altas qualificações. Na década de 1990, esta era a realidade para 28% dos homens portugueses com estudos até ao secundário, mas a percentagem caiu para apenas 20%. Entre as mulheres, a descida foi de 18% para 14%.

Mas esta não é uma tendência geral. Na verdade, são mais os países onde o elevador laboral sobe. A OCDE dá os exemplos da Dinamarca, Alemanha, Noruega e Suécia, onde as oportunidades de subir para quem não tem uma licenciatura têm vindo a crescer significativamente. “Ter bons empregos para trabalhadores que obtiveram apenas qualificações médias não resulta de forças estruturais inultrapassáveis. A automação e a globalização reduziram o número de oportunidades. No entanto, os países que aumentaram as oportunidades para quem tem qualificações médias partilham um conjunto de políticas comuns: têm instituições e práticas fortes de diálogo social, assim como uma ênfase na educação e formação profissional”.

Apesar disso, as vantagens do ensino vocacional aparecem bastante diluídas na análise feita pela OCDE. Se quem passou pela formação profissional parece ter mais empregabilidade, não está em vantagem para obter um emprego mais qualificado. Em Portugal, também, são estes os trabalhadores mais suscetíveis à precariedade, com uma percentagem de 46% de contratados a prazo (36% no ensino secundário regular).

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