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Transferência de crédito pode ajudar a poupar

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O vínculo aos bancos já não é um lugar-comum. A transferência de crédito à habitação é uma opção e há bancos a cobrir todos os custos dessa mudança.

Comprar casa é para muitos a possibilidade de concretizar um sonho e o ideal é conseguir um empréstimo com as melhores condições possíveis. Hoje, os bancos concorrem entre si para oferecer as melhores soluções à medida de todos os clientes. A boa notícia é que pode transferir o seu crédito à habitação de uma instituição financeira para outra. Esta operação tem custos associados, mas há bancos dispostos a cobrir todos os encargos da mudança, desde a comissão de reembolso antecipada à escritura, dos registos à avaliação e até a comissão de abertura de dossiê.

“Transferir um crédito à habitação de um banco para outro não significa ter de fazer um crédito novo”, começa por explicar Rui Bairrada, CEO da clínica de finanças pessoais Doutor Finanças, ao Dinheiro Vivo. Em primeiro lugar, deve começar por verificar a situação do seu crédito e avaliar o funcionamento do mercado. Para isso, Rui Bairrada aconselha que se procure um intermediário, isento, que ajude a ultrapassar as burocracias das instituições bancárias, que podem atrasar o processo. “As pessoas têm a perceção de que o banco delas é o que vai oferecer as melhores condições e nem procuram outros. É profundamente errado”, alerta o especialista. Feita a avaliação, pode até chegar à conclusão de que a mudança não é adequada ao seu caso.

“Somos apologistas de que toda a gente, sem exceção, deveria fazer um check-up às suas finanças pessoais. A maior parte das pessoas nem sabe as condições que tem”, reforça Rui Bairrada. Ter um crédito à habitação com um spread de 1,4% é o suficiente para fazer um diagnóstico. “No caso de pessoas que fizeram créditos à habitação há sete ou oito anos, com um spread de 0,25 ou 0,3%, aconselhamos a que nunca venda essa casa”.

O crédito à habitação é um tipo de empréstimo que possibilita aos bancos manter viva a carteira de clientes por um longo período de tempo, entre 30 e 40 anos. Por isso, alguns bancos acabam por suportar as despesas associadas à transferência do crédito à habitação. Como por exemplo os custos associados à antecipação do pagamento do montante em dívida, que pode rondar os três mil euros no caso de uma penalização de 0,5%, exemplifica Rui Bairrada. Ainda que o banco não cubra os custos de transferência, a redução na mensalidade e nas taxas que se concretizarem com a redução de um spread de 3% para 1% podem compensar esta decisão.

“A grande preocupação quando nos referimos ao crédito à habitação é o spread, mas a transferência de crédito permite fazer uma poupança geral”, assegura Rui Bairrada, que revela que em cada transferência de crédito tem conseguido reduzir, em média, 38% os custos no seguro de vida. Além de baixar o spread, a transferência de crédito pode ajudar a reduzir os custos de entrada inicial e de comissões bancárias.

Em Portugal, o valor cobrado pelos bancos no empréstimo concedido tem vindo a descer e hoje é possível conseguir taxas de spread de 1,5% ou até menos. Por isso os pedidos de transferência de crédito têm acompanhado a tendência. Todos os meses, a clínica Doutor Finanças concretiza 200 transferências de crédito à habitação para outros bancos. E a poupança é real. “Se pegarmos nos cem euros que poupamos por mês e multiplicarmos por 40 anos, rapidamente chegamos a uma poupança de mais de 50 mil euros”, exemplifica Rui Bairrada.

“Um casal que tenha um crédito à habitação de 200 mil euros a um prazo de 40 anos, com um spread de 2%, tem uma mensalidade de 719 euros. Se conseguir uma solução com o mesmo prazo mas com uma redução de spread de 1%, a mensalidade passa a 600,32 euros, o que perfaz cem euros de poupança por mês. Num ano, esta redução no spread poderá permitir uma poupança de 1200 euros e em 40 anos cerca de 48 mil euros”, adianta o especialista.

“É provável que encontre várias opções em vários bancos, porque estes também oferecem diferentes soluções para diferentes tipos de clientes”, assegura Rui Bairrada. Atualmente, o spread é influenciado pela taxa Euribor, o indicador que traduz a taxa de juro dos empréstimos que os bancos comerciais fazem entre si na zona euro. A oscilação da Euribor poderá ter reflexo no valor da prestação mensal que paga ao banco. Segundo dados do Banco de Portugal, os bancos concederam 8104 milhões de euros para a compra de casa até outubro, mais 22,7% do que um ano antes.

A relação emocional e de confiança que se cria com as instituições bancárias também pesa neste tipo de decisões. Mas “não nos podemos casar com os bancos”, diz. E sublinha que a “falta de informação” é outro grande entrave na promoção da iliteracia financeira que ainda é um obstáculo a ultrapassar em Portugal.

À medida que existem mais ofertas é cada vez mais importante estar bem informado. Cada português têm em média sete créditos, revela Rui Bairrada, e, “na maior parte das vezes, desconhece as condições associadas a cada um deles”.

No caso do crédito à habitação, é urgente “perceber o que já temos, como podemos melhorar” e “vencer a inércia” de procurar um especialista que avalie o empréstimo em causa.

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