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Transportadores apreensivos de que novas tarifas os deixem na falência

transportes rodoviários entre o Porto e Leça

Quinze dias após entrada em vigor das reduções tarifárias nos transportes, ANTROP manifestou "preocupações" das empresas de transportes.

As reduções tarifárias nos transportes, em vigor desde o início deste mês, poderão comprometer a sustentabilidade financeira das empresas de transporte, alertou a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), esta segunda-feira, em Mafra.

Quinze dias depois da entrada em vigor das reduções tarifárias nos transportes, o presidente da ANTROP, Luís Cabaço Martins, manifestou “preocupações” das empresas de transportes, durante uma conferência, em Mafra, no distrito de Lisboa.

Uma das preocupações prende-se com as “incertezas quanto ao comportamento da procura”, que empresas e autoridades de transporte “não conseguem antecipar”.

O presidente da ANTROP questionou também se os operadores “serão capazes de dar resposta em termos de meios e capacidade financeira, sobretudo em horas de ponta”, à nova concessão, que pressupõe um aumento da oferta de transportes.

“As horas de ponta levantam um problema de meios”, avisou.

Luís Cabaço Martins disse que há empresas que têm vindo a “criar desdobramentos” de autocarros em alguns horários, para fazer face ao aumento da procura pelos utilizadores, e a desviar esses veículos do “serviço comercial” e “não podem ser prejudicadas” por isso.

A ANTROP lembrou que o Governo deve às empresas cerca de 10 milhões de euros relativos a passes sociais para alertar que, se houver atrasos de pagamentos do Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes (PARTT), “as verbas aumentam e as empresas param, deixam de funcionar e não se pode ter empresas falidas”.

O secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, respondeu que, “na semana passada, o Governo pagou às áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais dois meses do PARTT”, para responder a essas preocupações.

O governante lembrou que, desde 2016, a procura pelo transporte publico tem vindo a aumentar “4 a 6% ao ano”, razão pela qual, afirmou, “com o aumento da procura e o financiamento assegurado pelo PARTT, os operadores deverão ter os seus problemas resolvidos”.

A ANTROP avisou também que, nas zonas de fronteira, começaram a surgir “problemas que precisam de ser resolvidos para não criar um elefante branco”.

Luís Cabaço Martins exemplificou com o caso de utentes de Torres Vedras, na zona de fronteira com a AML, que “estão a comprar dois passes” para tornar mais barata a viagem diária para Lisboa em transportes públicos, razão pela qual há “operadores a perder receitas”.

Na conferência, também o especialista em transportes José Manuel Viegas, do Instituto Superior Técnico, defendeu que “é urgente chegar a soluções de tarifas equitativas nas áreas de fronteira” entre territórios de diferentes autoridades de transportes, criando um outro modelo, que poderia passar por existir “três ou quatro escalões diferentes baseados na distância” percorrida pelos utilizadores.

A ANTROP reivindicou ainda a existência de mais corredores para autocarros e a sua fiscalização, para “aumentar a velocidade” dos autocarros e, assim, garantir o aumento da oferta e a sustentabilidade financeira das empresas, sem ser necessário investir no aumento de viaturas e na contratação de mais motoristas.

José Manuel Viegas disse que é necessário “haver coragem para reduzir a oferta de estacionamento nos locais bem servidos pelos transportes públicos”, libertando-os para modos de transportes mais ecológicos, como as bicicletas e as trotinetes, incluindo-os também no preço dos novos passes.

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