crédito

Travão ao crédito não limitou fragilidades das famílias inglesas

Jon Cunliffe

Há um ano o Banco de Portugal também introduziu mecanismos para limitar os riscos na concessão de crédito à habitação.

As medidas tomadas em 2014 pelo Banco de Inglaterra para limitar as vulnerabilidades decorrentes do endividamento das famílias pouco ou nenhum efeito tiveram. A conclusão é do vice-governador do Banco de Inglaterra.

“Podemos concluir que a vulnerabilidade do endividamento não mudou muito desde 2014”, afirmou esta quarta-feira Jon Cunliffe, acrescentando que “o aumento da vulnerabilidade que o Financial Policy Committee (FPC) procurou impedir que acontecesse não aconteceu”, concluiu o número dois do banco central britânico, numa conferência em Lisboa sobre a estabilidade do sistema financeiro.

O FPC foi criado no Banco de Inglaterra (BoE, na sigla inglesa) com o objetivo de acompanhar o andamento da economia britânica, em concreto os aspetos macroeconómicos e financeiros que poderiam ameaçar a economia no longo prazo.

Na conferência que proferiu esta quinta-feira na sede do Banco de Portugal em Lisboa, o vice-governador do BoE traçou a linha histórica desde a implementação de políticas macroprudenciais na instituição para limitar os efeitos do sobre-endividamento das famílias.

Apesar de os resultados mostrarem que o número de agregados sobre-endividados diminuiu ligeiramente desde 2015, as vulnerabilidades mantiveram-se praticamente inalteradas.

Em 2014, e perante o aumento do endividamento das famílias num momento de baixa inflação, o BoE implementou uma série de ferramentas para controlar os possíveis choques macroeconómicos negativos. Entre as medidas adotadas contam-se testes de esforço das famílias perante um aumento da taxa de juro em três pontos percentuais e o rácio de endividamento face ao rendimento do agregado.

Também o BdP introduziu em julho de 2018 medidas macroprudenciais com um conjunto de limites na concessão de crédito. Esses travões incidem no rácio entre o montante do empréstimo e o valor do imóvel dado como garantia (LTV), no peso do valor das prestações de todos os empréstimos no rendimento mensal líquido (DSTI) e no prazo dos empréstimos.

Na avaliação que fez já em 2019, o banco central nacional fez um balanço positivo.

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