Conferências do Estoril

Trocar o plástico por papel? Ministra do Mar diz que são precisas soluções novas

Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar 
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Ana Paula Vitorino esteve nas Conferências do Estoril para falar do atual estado de emergência climática.

“Como é que posso convencer a geração dos meus pais de que as mudanças climáticas são reais? Porque eles não percebem por que deixei de comer carne”. A pergunta veio da plateia que assistia ao debate sobre “emergência climática” que esta quarta-feira marcou a última manhã das Conferências do Estoril.

No palco, tentaram encontrar respostas a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, juntamente com o surfista Garrett McNamara e a Conselheira da Câmara de Cascais para as alterações climáticas, Joana Balsemão. Todos concordaram que dar o exemplo é o primeiro passo para a mudança de mentalidades em relação à defesa do ambiente.

“Temos de olhar para nós próprios e tentar fazer a diferença no dia-a-dia. Quando escolhemos o carro em vez do transporte público ou quando vamos a praia e deixamos lá o lixo, temos de ter consciência de que estamos a prejudicar o planeta. Já achei que éramos uma geração perdida no que toca ao clima, mas agora já não acho. Se conseguimos mudar hábitos, como fumar, também haveremos de conseguir mudar os hábitos que temos com o planeta e o oceano”, sublinhou Ana Paula Vitorino.

Segundo a ministra, as futuras gerações “terão de fazer mais” pelo planeta. “A postura delas terá de ser necessariamente diferente no que toca às suas próprias decisões de vida, que serão tomadas com base nas necessidades ambientais. As gerações oceânicas que queremos formar não vão estar a debater estas coisas, porque já terão internalizado o que ainda estamos a discutir nestas conferencias”, considerou.

Segundo a governante, o aumento da consciencialização em relação a temas como o excesso de plástico é positiva, mas insuficiente quando a maior parte das pessoas ainda resiste a trocar garrafas de plástico por vidro.

“Melhor do que água engarrafada seria termos um jarro de água da torneira. Em toda a administração publica estamos a proibir o uso de água engarrafada. No meu ministério, ofereço uma garrafa de vidro a quem entra com uma de plástico. E conseguimos reduzir em 50% o uso de papel. Mas isso são fait divers. Temos de substituir toda a industria”.

A responsável explicou que estão a ser desenvolvidos projetos de investigação para substituir os materiais tradicionais, como o plástico e o papel, “porque as pessoas vão continuar a precisar de um suporte para ir comprar tangerinas ao supermercado”.

“E a solução não está nos sacos de papel, que vão criar problemas nas florestas. Têm de ser encontrados substitutos”, alertou.

Para Ana Paula Vitorino, a solução está na economia circular, nomeadamente na criação de indústrias que possam depender dos desperdícios. “Os desperdícios da pesca antes eram deitados para o mar e agora são recolhidos, em Portugal, para serem transformados em comida para animais. Temos de usar o lixo para criar novas indústrias”.

A ministra reconheceu que “nada do que possamos fazer agora será suficiente” para salvar o planeta e os oceanos, pois “teria sido melhor se tivéssemos começado no tempo da primeira revolução industrial”. No entanto, reforçou, “ainda vamos a tempo de agir para ter um planeta e um oceano melhor”.

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