OE 2016

Troika: Costa precisa de mais dinheiro que Passos. É arriscado

Pierre Moscovici. Foto: REUTERS/Yves Herman
Pierre Moscovici. Foto: REUTERS/Yves Herman

Missão europeia da troika acabou. Défice estrutural tem de descer mais, juros estão artificialmente baixos, governo é demasiado otimista

O plano de ajustamento orçamental de António Costa precisa de mais financiamento do que o apresentado por Pedro Passos Coelho em abril do ano passado, diz a missão da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu no âmbito da vigilância da troika.

Na declaração final sobre a terceira missão de supervisão pós-programa de ajustamento (em inglês), que decorreu entre 25 de janeiro e 2 de fevereiro, os técnicos apontam para um défice público maior e um crescimento muito mais frágil.

“As condições de crédito para Portugal permanecem favoráveis, graças em grande medida a fatores europeus e mundiais”, observa a missão.

“Contudo, em comparação com o programa de estabilidade para 2015, a estratégia orçamental do novo Governo aumentou as necessidades brutas de financiamento. Em termos gerais, os mercados financeiros tornaram-se mais voláteis, fazendo com que o financiamento dos elevados níveis de dívida soberana constitua um maior desafio para o Governo”, avisam os economistas das instituições europeias que, juntamente com os do FMI, compõem a troika.

“Consolidação insuficiente”

Comentando os números do esboço orçamental de António Costa e Mário Centeno, a equipa europeia lamenta várias coisas: “O ajustamento do défice estrutural subjacente em 2016 reflete um esforço de consolidação insuficiente” e “espera-se que o rácio da dívida pública em relação ao PIB, que se situou em redor dos 129 % no final de 2015, continue a diminuir, embora mais lentamente do que o anteriormente previsto”.

Hoje 4 de fevereiro, a Comissão Europeia, nas previsões de inverno, prevê um crescimento de 1,6% para Portugal este ano e um défice público nominal de 3,4%, pior até do que diz o FMI. O Governo diz 2,1% de crescimento e 2,6% de défice no esboço orçamental que enviou para Bruxelas.

Futuro arriscado

Relativamente a economia, a missão constata que “o principal motor de crescimento assenta na procura interna, enquanto se prevê que o contributo das exportações líquidas seja negativo devido a um considerável aumento das importações”.

Avisa ainda que “as exportações continuam a evoluir em linha com a procura externa”, mas que “os riscos relativamente às perspetivas futuras são negativos e prendem-se, em especial, com as incertezas relativas à conjuntura externa”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Indústria do calçado. 
Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal regressou ao Top 20 dos maiores produtores de calçado

Sonae Industria

Ações da Sonae Indústria e da Sonae Capital disparam após OPA da Efanor

Alexandre Meireles, presidente da ANJE. Fotografia:  Igor Martins / Global Imagens

ANJE teme que 2021 traga “grande vaga” de falências e desemprego

Troika: Costa precisa de mais dinheiro que Passos. É arriscado