Troika garante que o pior da recessão já passou, mas avisa que salários continuam altos

O ministro, Vítor Gaspar
O ministro, Vítor Gaspar

Os deputados que estiveram reunidos com a troika durante esta manhã deram várias versões sobre a conversa de quase duas horas com os chefes de missão do FMI, BCE e Comissão Europeia. Oposição fala em condições para se avançar para uma revisão do atual programa e até de um segundo resgate.

Uma coisa é certa: a troika acredita que a economia está a resistir melhor do que se esperava à austeridade, que o ponto mais baixo da recessão já terá passado, que os salários ainda podem descer mais e que pode poupar-se mais no sector da Saúde, que os efeitos da crise na receita fiscal estão a ser compensados por progressos maiores no lado da despesa.

Para Miguel Tiago, do PCP, a troika tornou a mostrar “total insensibilidade” face ao maior problema dos portugueses – o desemprego -, tendo mostrado preocupação em aprofundar ainda a reforma do sector da Saúde. “Para a troika há hospitais a mais, gasta-se demais em cuidados continuados”, havendo margem para avançar com mais cortes neste sector, disse o deputado comunista.

Para além disso, continuou, a troika transmitiu a mensagem de que os salários dos portugueses ainda têm margem para cair e que é por estarem demasiado altos que o desemprego tende a agravar-se.

Fernando Medina do PS considerou que a reunião serviu para sensibilizar os membros da troika de que já existem condições para “se começar a falar de uma revisão do programa, de uma flexibilização de algumas metas e recalibragem de objetivos”, como têm defendido os socialistas, que querem uma agenda “mais virada para o crescimento”.

Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, sublinhou que a troika sinalizou que o andamento das receitas fiscais foi pior que o esperado, mas isto terá sido compensado “com uma recessão menos violenta” face ao que inicialmente se pensava viesse a acontecer. Ou seja, segundo a troika, já teremos atingido o pior da recessão.

Menos otimista está Pedro Filipe Soares, do BE. “Estão a ser geradas as condições para um segundo resgate, essa é a verdade”. O deputado disse ainda que “a troika está a ignorar o problema do desemprego” e insiste nas medidas que têm agravado o fenómeno e a recessão.

O PSD não teve ninguém disponível para prestar declarações, prometendo uma reação para as 15h00.

A reunião dos deputados com a troika decorreu à porta fechada. Estes saíram em silêncio, para reunir durante maia-hora com a presidente do Parlamento, Assunção Esteves. No final, os três chefes de missão não prestaram declarações aos jornalistas.

A equipa da troika está em Lisboa para a quarta avaliação ao programa português que, caso seja positiva como as precedentes, dará acesso à quinta tranche do programa de empréstimos da UE/FMI.

A delegação dos chefes de missão da troika é composta por Abebe Selassie (FMI), Rasmus Ruffer (BCE) e Jurgen Kroeger (Comissão Europeia).

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