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Trump admite despedir o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, observa Jerome Powell, presidente da Fed, durante o discurso de nomeação, em novembro de 2017. REUTERS/Carlos Barria
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, observa Jerome Powell, presidente da Fed, durante o discurso de nomeação, em novembro de 2017. REUTERS/Carlos Barria

Presidente dos EUA tem discutido este cenário na Casa Branca depois de a Fed ter subido as taxas de juro esta semana, contra a vontade de Trump.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admite despedir o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), Jerome Powell. Esta decisão, inédita na história da democracia norte-americana, tem sido discutida nos últimos dias entre o chefe de Estado norte-americano e os seus assessores mais próximos, depois de a Fed ter subida as taxas de juro esta semana, contrariando a vontade de Trump.

Segundo a Bloomberg, os conselheiros próximos de Trump não estão convencidos de que o Presidente vai tomar alguma decisão e esperam que, durante as férias, a zanga do chefe de Estado com Powell acabe por passar. Outros conselheiros têm dito ao presidente que despedir o presidente da Fed seria um desastre para a economia.

Esta decisão, se for tomada, terá efeitos negativos junto dos mercados financeiros: levaria à perda de confiança dos investidores na capacidade de o banco central ser totalmente independente da interferência política. Os efeitos seriam ainda mais nefastos tendo em conta que nas últimas semanas as bolsas mundiais têm desvalorizado. A independência da Fed é necessária para que esta instituição atue na economia no longo-prazo, em vez de estar sujeita às vontades políticas do curto-prazo.

Um eventual despedimento do presidente da Fed não está clarificado na lei da Reserva Federal dos Estados Unidos. A legislação refere que o Presidente dos EUA pode recorrer à figura do “despedimento por justa causa”, alegando que o governador teria cometido alguma ilegalidade.

Na quarta-feira, apesar da pressão feita por Donald Trump, a Reserva Federal dos EUA decidiu fazer o quarto aumento das taxas de juro este ano. O chefe de Estado norte-americano tem criticado as decisões da Fed de subir juros. Só esta semana recorreu por duas vezes ao Twitter para avisar dos riscos de aumentar as taxas.

“É incrível que com um dólar muito forte e praticamente sem inflação, com o mundo lá fora a rebentar em cima de nós, com Paris a arder e a China a vir por aí abaixo, a Fed esteja sequer a considerar outra subida das taxas de juro”, disse o presidente americano no início da semana.

Além de ter contrariado as pretensões de Trump, a Fed mantém a mensagem de que os juros são para continuar a subir. “O Comité julga que algumas subidas graduais no intervalo da taxa dos fundos federais será consistente com uma expansão sustentada da atividade económica, condições mais fortes do mercado de trabalho e de uma inflação perto do objetivo de 2% no médio prazo”, escreveu a instituição liderada por Jerome Powell no comunicado sobre a decisão de política monetária.

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